<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?>
<!---->
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom">
  <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras</id>
  <title>LEITURAS RELEITURAS E IDÉIAS</title>
  <subtitle>Esse blog é destinado aos interessados em leitura, cultura e educação que queiram, livre e criativamente, debater e apresentar suas idéias </subtitle>
  <author>
    <name>Sheila G Soares</name>
  </author>
  <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/"/>
  <link rel="self" type="text/xml" href="http://blogs.sapo.pt/users/leiturasereleituras/data/atom"/>
  <updated>2012-01-12T19:02:04Z</updated>
  <link rel="service.feed" type="application/x.atom+xml" href="http://blogs.sapo.pt/users/leiturasereleituras/data/atom" title="LEITURAS RELEITURAS E IDÉIAS"/>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:16737</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/16737.html"/>
    <issued>2011-12-29T21:08:06</issued>
    <title>Jogando a criança...parte 3 Conclusão</title>
    <published>2011-12-29T22:24:44Z</published>
    <updated>2012-01-12T19:02:04Z</updated>
    <category term="leitura"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Ambiente e Sociedade como propulsores da leitura&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Nosso ambiente e sociedade, é sabido, historicamente,  não propiciaram o hábito de leitura de livros , porque, tanto o acesso amplo, do ponto de vista material, quanto a qualificação para ler foram tardios para nosso povo, sendo que o impulso dos primeiros programas distributivos se deu após meados dos anos sessenta, e tomou vulto expressivo na década de 90. Outro fator foi o tardio entendimento do livro como objeto de consumo e  fruição, já que ele era visto como algo ligado ao ensino, à obrigação - à seara da escola. Uma política estabelecendo, diga-se de passagem, corretamente, um papel para o livro para além de objeto de "dever", com feiras e salões, festas literárias anuais (sem contar as bienais), enfim ações exclusivas a seu favor, é algo relativamente recente. Só para ilustrar, o Proler é de 1992 (quando Affonso Romano de Sant´Anna assume a Biblioteca Nacional) e o PNLL (Política Nacional do Livro e da Leitura) de 2003.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;No entanto, eis  que em fins da década de 80, há uma revolução no início quase silenciosa, mas, em tempos recentes, tão avassaladora para o que diz respeito ao padrão eletivo de consumo, sem falar da expansão da tv com seu potencial de influência, quanto perturbador do processo educativo tradicional: a popularização da informática pelos computadores pessoais e Internet. Tanto que em 2006, a Folha de São Paulo (1)  divulgava uma pesquisa do IBGE sobre o crescimento dos meios de entretenimento, no qual o setor de provedores de Internet crescera entre 1999 e 2005, 207% contra 11% do mercado de livros.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Porém, mesmo diante desse quadro, a política de leitura permanece inalterada, considerando que a mídia eletrônica é "apenas acessória" e que "a verdadeira leitura está nos livros". Tal posição é conservadora, pois, evidente, até para se usar a internet é preciso tanto preparo quanto para uso do livros. A não se reconhecer esse quadro secular, cai-se numa posição de resistência, heroica e romântica, e talvez temerária, quanto a não se pensar em estratégias diante dessa avalanche da web e seus subprodutos.  Por outro lado, há uma tendência secular à espetacularização já contaminando as práticas leitoras. Úteis, porém com o risco de mais  formar plateias do que leitores.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para finalizar, fala-se do "leitor crítico", o que é capaz de emitir juízo de valor sobre as leituras (de livros e do mundo). Mas há certo preconceito - quando se fala deste em relação ao leitor comum, que pode se um leitor menos culto e exigente, mas nada garante  que não possa exercer bem sua cidadania, sem ser erudito, por não ter lido obras canônicas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Antes de ser considerada "do contra" ou "contra" o incentivo ou ações culturais em leitura, adianto que, longe disso,  procurei apontar aspectos  que considero frágeis na política do e para o livro, e que podem ser debatidos, revistos e atualizados, e creio ser esta uma contribuição que uma bibliotecária  cheia de dúvidas e inquietações possa dar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; (1) &lt;em&gt;Folha de São Paulo, 25 de setembro de 2006&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:16501</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/16501.html"/>
    <issued>2011-12-27T20:48:50</issued>
    <title>Jogando a criança... Parte2. O lugar da leitura literária</title>
    <published>2011-12-27T21:33:59Z</published>
    <updated>2011-12-27T21:53:49Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt; Nas políticas e nos programas de leitura há uma defesa quase unânime da leitura literária prioritariamente a outras leituras em todos os níveis.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt; É evidente que as primeiras abordagens ao livro são quase sempre narrativas, se pensarmos numa evolução da leitura desde a infância. Porém coloco, na minha exposição,  que essa defesa como superdimensionada. Pretendem as políticas que a cultura literária deva "se impor". A minha discordância se baseia em alguns pontos:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;a) A linguagem literária é subjetiva por excelência, enquanto narrativa poética, ficcional e expressão artística. E assim deve ser por natureza.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;b) A leitura, incluindo a escrita, dita "voltada para o cotidiano, por necessidade prática" realmente não dá asas à imaginação tanto quanto a literatura, mas pergunto : o quanto não será necessario de domínio das ferramentas discursivas, presentes nos diferentes enunciados, para permitir a destreza  em leitura e escrita? A saber descrições, representações gráficas, argumentação, proposições e diferentes formas de expressão comunicativa. Impor um discurso literário narrativo não seria impor uma visão apenas parcial?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;c) Por que a cultura científica e filosófica não podem fascinar as crianças tanto quanto a literatura encanta?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;d) E baseado nesse pressuposto, a Literatura tem servido de mediadora para os conteúdos científicos (tanto de exatas como sociais) destinados a crianças e jovens, como também para a própria literatura, com adaptações que desfiguram e infantilizam grandes clássicos em nome da facilidade de compreensão ou "assimilação", como gostam os pedagogos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="padding-left: 30px;"&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;d) Em nome desse facilitário, muitos livros pra jovens e crianças vem com bulas: notas, glossários, comentários, exercícios gramaticais, transversalidade, e os famigerados roteiros de leitura, contaminando toda uma produção editoral, sem dúvida tornando-a rendosa para autores e editores, mas desastrosa para a autonomia do leitor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;      &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;      &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Então qual o lugar da Leitura literária? O que lhe sempre coube. Na arte, não na pedagogia.  Há, sem dúvida, conhecimento abundante na literatura, mas não é ela  a responsável por  disseminá-lo, porque não tem esse compromisso. Tal papel, que vem lhe sendo atribuído, pode fazê-la desaparecer na forma de arte livre.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para defendê-la e não criticá-la, como parece,  é que  me coloquei desta forma a respeito do que vem representando a literatura para a formação do leitor: ferramenta e não  expressão autônoma de  arte. Nesse caso, podemos decretar para breve o seu fim.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:16187</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/16187.html"/>
    <issued>2011-12-15T19:33:24</issued>
    <title>Jogando a criança fora com a água da bacia ...ou jogando a água da bacia com a criança? Parte I</title>
    <published>2011-12-15T21:11:55Z</published>
    <updated>2011-12-15T21:38:41Z</updated>
    <category term="leitura"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Tive a oportunidade de ver meu trabalho aprovado no Congresso Internacional de Leitura em Havana de 25  a 29 de outubro deste ano. O que apresento aqui são comentários, pois o original foi bastante extenso e mais técnico. Minha exposição, intitulada &lt;em&gt;Programas de Incentivo à Leitura: dúvidas e inquietações, &lt;/em&gt;pontua-se em três tópicos, que, do meu ponto-de-vista, merecem revisão das políticas. 1. Capacitação x Incentivo (Aprendizado e práticas de leitura) 2. O lugar da leitura literária (a Literatura deve &lt;em&gt;se impor&lt;/em&gt;?) e 3. Ambiente e sociedade como propulsores da Leitura (que estratégias as políticas devem tomar em relação à crescente informatização da sociedade?).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Primeira parte: Capacitação e Incentivo (Aprendizado e Práticas de Leitura)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A um simples olhar, é nítida nas políticas de Leitura, a demarcação de duas fronteiras entre aprendizado e incentivo, uma dicotomia que vem a se fazer mais nítida, à medida que os órgãos ministeriais vinculados à Cultura e pertinentes ao livro e a Leitura, chamam para si a tarefa das práticas de leitura, uma vez acordado, entre  seus  agentes  e os da Educação, que há impossibilidade crônica ("interdição") do professor  em levá-las adiante. Tal estado de coisas é um lamentável consenso. À primeira vista parece razoável : a Educação cuida do aprendizado da leitura e a Cultura das práticas. Mas não é tão simples assim. Ocorre que, ao defender que o "as práticas, e não o aprendizado voltado para o cotidiano é que possibilitam  o leitor participar de maneira ativa da sociedade", tal postulado só seria verdade inteira, na medida que esse leitorado estivesse no domínio do letramento, ou seja que ele tivesse desenvolvido as etapas de decodificação, compreensão e produção escrita autonomamente. Ou dito de outra forma, que já estivesse vencendo, ou vencido, a linha divisória do analfabetismo funcional, condição que o ensino fundamental no país não tem  conduzido satisfatoriamente, conforme testes nacionais e internacionais de proficiência em leitura.  Defender práticas de leitura como "formação", sem essa sustentação, é como construir um edifício sem estrutura, ou como prefere o povo, "enxugar gelo". As diretrizes  políticas exageram quando afirmam que "o contato com materiais de leitura  possibilita o leitor se tornar autor de sua própria existência". Sim, mas nunca  &lt;em&gt;se&lt;/em&gt; não estão suficientemente preparados para esse protagonismo. Não será o processo inverso - quanto mais preparado para os materiais de leitura, mais vivo será o interesse desse leitor? O fato de que o leitor necessita estar preparado para esses materiais não é científico, é constatável no cotidiano, por qualquer observador, como tenho feito há dez anos. O acesso ao livro, claro, repercute no interesse e no desejo, porém não diretamente na formação. Não podemos falar com honestidade no fato de brasileiro ler pouco atribuindo à falta de acesso ao livro no Brasil. Salvo em algumas aldeias e grotões; há, e já há algum tempo, inúmeros programas oficiais distributivos de grande porte, - e seria ocioso citá-los - voltados para escola e bibliotecas, fora as Organizações Não Governamentais atuando para esse fim. Daí  constatar-se facilmente  que o que aparenta ser "desinteresse" e "desestímulo" é tão somente falta de qualificação que a leitura requer. Recorrendo ao argumento prosaico: posso adorar automóveis ou pianos, mas como vou dominá-los, se não aprendo a utilizá-los? Fazer de conta  que leitura &lt;em&gt;não é&lt;/em&gt; uma tecnologia é como jogar fora a água da bacia com a criança dentro, ou jogar fora a criança com a água da bacia?  Dizia Rubem Alves muito bem, "leitura sem dominar a técnica é um sofrimento". Foi simplesmente essa ideia, para muitos talvez óbvia, mas para mim simples, que tentei passar na minha exposição. Devemos sim, tentar trazer a nós , através da ação cultural, sem perder de vista os miúdos, aqueles leitores que estamos perdendo dia a dia, as verdadeiras "ovelhas desgarradas" por outros motivos, e muitos há, para não ler. Agora, os que não estão capacitados é dever moral e urgente da Educação promover : afinal, não é a esses que é negado o direito de ler, mas o de&lt;em&gt;  saber ler &lt;/em&gt;para ser autor de sua existência.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:16076</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/16076.html"/>
    <issued>2011-11-20T17:33:34</issued>
    <title>O erro de Descartes. Erro?</title>
    <published>2011-11-20T18:17:07Z</published>
    <updated>2011-11-20T18:17:07Z</updated>
    <category term="descartes"/>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O erro de Descartes &lt;/em&gt;de Antonio Damasio há um tempo aguardava na fila para ser lido, e eis que resolvi enfrentar o tijolão. Peguei um sábado insosso e estabeleci a meta de lê-lo todo, mas não foi tanto sacrifício assim, pulei um caudaloso número de páginas que descreviam o sistema neural, anatômica e fisiologicamente, e não vi utilidade em reter esses dados tão minuciosos e chatíssimos. Damasio procura, com eles, e não sem ajuda de extensa bibliografia, embasar sua argumentação que consistia em mostrar que, ao contrário do que o mestre francês dizia, corpo (cérebro) e mente são entidades inseparáveis. Nem precisava de tanta firula. O argumento de Descartes (1596-1650) em primeiro lugar é filosófico, e reinvindica um princípio da dúvida como a base científica do conhecimento - &lt;em&gt;cogito&lt;/em&gt; -penso, logo existo deve ser lido como duvido, logo existo. Ora tal primado era uma ameaça ao dogma da Igreja, em pleno período da inquisição. Descartes foi sagaz a ponto de criar uma "metafísica" onde a entidade mente (ou razão) não tinha materialidade, ou seja era "espírito" e "alma", logo, "coisas do Reino de Deus", o que por pouco lhe permitiu escapar da fogueira em que ardeu um pouco antes Giordano Bruno (1600) e do processo imputado pelo Santo Ofício a outro defensor das ideias que contrapunham-se ao dogma: Galileu Galilei (1642). Uma feliz constatação que  o próprio Damásio faz, atualizando as premissas de Descartes para os dias de hoje é a de que o cérebro funcionaria como um &lt;em&gt;hardware&lt;/em&gt;, enquanto a mente como um &lt;em&gt;software! &lt;/em&gt;Ponto para o mestre francês! E para fechar o raciocínio do neurocientista italiano, no posfácio ele confessa que, apesar de muitas descobertas a respeito de cérebro e mente, ainda pouco se sabe ainda para que se desvende seus mecanismos e suas relações. Poderíamos concluir então que se foi possível avançar em Ciência foi graças ao princípio simples e irretorquível que Descartes fundou: o da Razão com sua propriedade de pensar e duvidar. Erro? Coisa de Deus? Façam as suas escolhas.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:15700</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/15700.html"/>
    <issued>2011-11-10T00:50:57</issued>
    <title>A culpa é das briófitas</title>
    <published>2011-11-10T00:55:26Z</published>
    <updated>2011-11-10T00:55:26Z</updated>
    <category term="briófitas"/>
    <content type="html">&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Vejo-me diante de um aluno aflito de  6º ano (antiga 5ª série )  me apontando para o caderno, e mostrando-me, mal sabendo pronunciar, o tema sobre o qual devia discorrer, e que eu mesma li com dificuldade: briófitas e pterodófitas. Imediatamente perguntei-lhe se ele tinha alguma idéia, &lt;em&gt;qualquer uma&lt;/em&gt;, do que se tratava, ele negou; insisti, não seriam espécies de animais? Novamente negou saber. O professor não deu &lt;em&gt;nenhuma&lt;/em&gt; deixa? Não, segundo ele. Professor &lt;em&gt;de que? &lt;/em&gt; Arguí. Ciências. Hum... Então resolvi ir por partes. Mais pela sonoridade do que por intuição, tais nomes me remeteram aos livros didáticos da série correspondente, e especificamente Seres Vivos. Nada. Mais por intuição do que por conhecimento de causa, me perguntei – e por que raios esse menino precisa saber o que são briófitas e pterodófitas? – e mais que depressa socorri-me da Internet com a resposta pronta de &lt;em&gt;tio&lt;/em&gt; Google, as famosas e charmosas briófitas e pterodófitas eram plantas, coisa que  do alto de meus mais de seis décadas de existência, jamais suspeitaria. Perguntei-me de novo, será que as pessoas podem morrer &lt;em&gt;sem saber&lt;/em&gt; o que são briófitas e pterodófitas? Não é questão do Ibope fazer uma pesquisa nacional a respeito? Enfim, localizei o livrinho que tinha os nomes científicos, e entreguei, solidária na ignorância, ao jovem aflito, que certamente terá seu problema resolvido, copiará feliz os verbetes e entregará ao mestre, ganhará alguma nota, e estarão todos gratificados com a perspectiva  de que no futuro este jovem seja um brilhante biólogo. Uma pergunta leva a outra: mas como anda mesmo a educação no país? Com respeito ao sistema público no Brasil , está publicado que quase metade dos alunos mal compreendem um texto, mal escrevem, fazem apenas operações matemáticas simples,  e isso, &lt;em&gt;até o final do primeiro ciclo (4º) ano&lt;/em&gt;. Aplicado a esse caso, um menino de 6º, que seria o 1º em que são introduzidas as disciplinas, tem de cara que enfrentar &lt;em&gt;todas a&lt;/em&gt;s nomenclaturas, e apavorado, como se elas se fossem ETs. E pensando bem são, se pensarmos no conjunto de inutilidades existentes nesses currículos. Uma cena me veio logo, a da reunião dos formuladores dos currículos, em alguma sala do planalto, um deles rodando a sala e solenemente  argumentando: “não, as briófitas e as pterodófitas não podem ficar de fora. Inconcebível que  um aluno que se forma no fundamental não saiba o que sejam briófitas e pterodófitas”, e se dá a votação do programa. Briófitas e pterodófitas vencem por maioria simples. Bom, se não se sabe efetivamente as causas dos resultados esquálidos do ensino no país, mas pelo menos a gente pode, por ora, botar a culpa nas briófitas e pterodófitas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em tempo: Exemplo de briófitas são musgos; de pterodófitas, nossas belas e banalíssimas samambaias!&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:15501</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/15501.html"/>
    <issued>2011-09-16T23:00:35</issued>
    <title>Até tu, Paulo Coelho?</title>
    <published>2011-09-16T22:38:48Z</published>
    <updated>2011-09-16T22:38:48Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Foi noticiado que "O Alquimista", "O Demônio e a Srta.Prym" e "Veronika Decide Morrer" do Paulo Coelho serão "adotados" em escolas. Caiu o último bastião da resistência ao ganho fácil em literatura? É um grande negócio a adoção por escolas, já que o processo uniformiza a leitura - todos os alunos têm que ler os mesmos títulos- e os livros passam a ser adquiridos para turmas, essa compra é, portanto é não só vultosa, principalmente quando apoiada pelas compras governamentais para a rede pública, como também impositiva, em consequência da escolarização da literatura. E o que é pior, os livros vem com "bula", ou seja os tenebrosos guias de leitura com o fim de "ajudar" o professor e os jovens a "interpretar" um conteúdo. Tal fato atinge em cheio a autonomia do leitor, já que a literatura tem caráter absolutamente eletivo, ou seja, a leitura literária é fruto de escolhas pessoais. Quando a escola adota determinada obra literária, o que ela está fazendo é interferindo no direito de escolha, fundamental ao amadurecimento do leitor. Lembro-me que em certa época dizia-se "criança não tem querer" e é justamente o que essa política educacional faz. Os adolescentes deviam refletir e argumentar com professores e administradores sobre essa questão. E simplesmente ter o direito de não querer nenhum autor imposto. Uma coisa é incentivar, divulgando o Sr. Coelho, a Sra Rowling e outros best-sellers; outra é impor. Adotar é impor. É assim que Svetlan Todorov diz que a literatura está em perigo. Uma atitude saudável seria ter em alguns exemplares na bibliotecas &lt;em&gt;para os que se interessarem&lt;/em&gt; pegarem por empréstimo. A outra questão: livro não é remédio para vir com bula, que são esses guias didáticos. Essas bulas, em que o autor ou editor induz a uma "compreensão" de um texto, dando um sentido "objetivo" (igual para todos) a uma obra, nada menos que violenta o princípio básico de que o leitor, espontânea e criativamente, interage com um livro, de acordo com as suas concepções e seu universo próprio. A produção de sentido é pessoal e intransferível. A discussão da subjetividade de cada leitor é que enriquece uma obra. Narrativa literária não é ciência exata. Portanto não precisa de bula nem de explicação. Torço sinceramente que essa empreitada não dê certo, porque sob a aparência de incentivo à leitura, o que prevalece são interesses comerciais.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:15229</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/15229.html"/>
    <issued>2011-06-15T04:40:36</issued>
    <title>CULTURA SOBRE BIBLIOTECA E LEITURA  EM AMBIENTE ESCOLAR</title>
    <published>2011-06-15T03:50:58Z</published>
    <updated>2011-06-15T03:50:58Z</updated>
    <category term="culturadaleitura"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                                        &lt;wbr /&gt;    &lt;/strong&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;Cultura aqui é um conjunto de discursos e práticas de educadores e outros profissionais com relação à biblioteca e à leitura, e muitos dos quais viraram paradigmas. Vamos a eles:&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;“Silêncio, você está numa biblioteca!”.&lt;/em&gt; Este chamo de paradigma “Biblioteca Nacional”. Ao contrário da BN, na biblioteca em ambiente escolar, as crianças podem circular, como nas livrarias, mexer  nos livros, escolher e falar normalmente no recinto, claro que dentro de certa ordem, mas as regras de respeito não são regras exclusivas “de biblioteca”, são regras de convivência em qualquer lugar. Biblioteca escolar não é igreja&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                   *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h3&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;“O livro não pode sair e não pode estragar” . Chamo este de Livro-patrimônio. No sentido físico, o livro é apenas um suporte. Há bibliotecas que “tombam” e inventariam o acervo, o que deveria ser uma prática somente na Biblioteca Nacional. Nas demais, o patrimônio maior se forma nas mentes dos que fizerem uso da obra. Nunca a função de guardiã deve superar a de difusora. Em escolas e bibliotecas infanto-juvenis, há a se considerar, porque é inevitável, um certo grau de destrutividade e perda de livros, o qual se “trata” através do processo educativo. Salvo os livros de consulta e os  esgotados, em geral, qualquer título é recuperável. Deve-se estimular o cuidado, mas não se deve engessar a circulação de uma coleção, com medo de que o exemplar se perca ou estrague.  O prejuízo do não-uso  é muito maior. Livro que não circula é inútil.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;“Conhecer como funciona a Biblioteca para ser leitor de Biblioteca no futuro”. &lt;/em&gt;Chamo este de paradigma burocrático. Nada mais falso. Nunca minha condição de leitora foi afetada por “saber usar” bibliotecas, mas pelo interesse pelo livro ou pela pesquisa.  Biblioteca e Escola são meios&lt;em&gt; &lt;/em&gt;e não fins. O importante é a criança saber, sim, que a Biblioteca  é uma das mais importantes fontes de informação, não a única, de que ela dispõe. É claro que quanto mais autônomo for o leitor, melhor. Mas cabe ao bibliotecário orientá-lo sempre. Para isso ele é, espera-se, o profissional mais habilitado.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                   *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;“Se não se comportar, vai para a Biblioteca!” . &lt;/em&gt;Cultura da masmorra . Biblioteca não é lugar de castigo. Ler também nunca&lt;em&gt; &lt;/em&gt; deve ser castigo. Nem escrever.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                   *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;“&lt;em&gt;Não tem nada para fazer? Então vá para a Biblioteca!” &lt;/em&gt;Cultura do depósito. Biblioteca não é depósito. Nem de livros, nem de crianças indisciplinadas.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                   *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;“Um livro grande é sempre melhor para as crianças”&lt;/em&gt;:&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Paradigma do volume .&lt;em&gt;Metamorfose&lt;/em&gt; de kafka. &lt;em&gt;O Velho e o Mar &lt;/em&gt;de Heminguay e &lt;em&gt;O alienista &lt;/em&gt;de Machado de Assis são pequenos volumes e grandes jóias  e assim muitos outros. E livros grandes que são grandes livros, como &lt;em&gt;Guerra e&lt;/em&gt; &lt;em&gt;Paz,&lt;/em&gt; de Tolstoi e &lt;em&gt;Crime e Castigo&lt;/em&gt;, de Dostoievski. Uma crença corrente é de que quanto maior volume, mais se permite assimilar vocabulário. Permite, se o jovem se envolve na leitura. Está aí o &lt;em&gt;Harry Potter&lt;/em&gt; que não nos deixa mentir. Se o leitor não se envolve, &lt;em&gt;nada&lt;/em&gt;, nada mesmo, acontece.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                   *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;“As crianças têm preguiça de ler”&lt;/em&gt; : Paradigma da preguiça. Quase sempre, a “preguiça” são dificuldades e deficiências de leitura, problemas visuais e emocionais, timidez. Preguiça dá até em adultos. Antes houvesse mais preguiça do que dificuldades! &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                   *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;“Quem muito lê, escreve bem”&lt;/em&gt;: Muita leitura igual à boa escrita. Não obrigatoria, nem automaticamente. Escrever bem vem da prática mesma da escrita. Mas escrever muito, como na leitura, não é em quantidade (muitas linhas ou páginas), mas em frequência. Ler habitualmente e com envolvimento, sem dúvida, agrega mais vocabulário, informação e correção ortográfica à escrita. Escrever bem, porém, depende mais do pensamento articulado, de domínio do discurso (comunicar bem) do que de “somar vocabulário”.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                   *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;“Literatura para nota” ou para ensino do português. &lt;/em&gt;Paradigma Didático. É exploração da Literatura como exercício. Se quiserem &lt;em&gt;matar&lt;/em&gt; o gosto de alguém para textos literários, façam isso. E pior que é prática comum. A desculpa é o “vestibular”. Os textos didáticos e textos auxiliares (gramáticas) servem para ajudar a estruturar o entendimento da língua . Mas literatura não, literatura não “ensina” a língua; deixem literatura só  para contar e ouvir, ler em voz alta ou em roda, unindo, se for o caso, prazer à leitura (inclusive dramatização e canto), ou em silêncio, individualmente. Deixem por favor a literatura em paz, que ela produz por si só seus frutos! Não a “adotem”, ela não é órfã ! E sabe onde ela está? Ali mesmo na biblioteca. Ofereçam-na, exponham-na! Os pequenos que a descubram. Quantas vezes crianças vieram a mim buscar um livro porque o viram citado na novela ou porque um coleguinha leu. Confiem nelas!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                               *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;&lt;em&gt;“As crianças devem ler só os “famosos, grandes e renomados”&lt;/em&gt;. Paradigma da Autoridade. Filho do paradigma acima. Que bom se elas lessem com prazer todos os famosos e renomados, mas há entre esses, acreditem se quiser, alguns bem infelizes em suas experiências de escrever para jovens e, por outra, autores bem desconhecidos que são sucesso entre eles. É preciso considerar sempre a capacitação, a escolha e a recepção da criança aos autores.É um direito dela. Os professores têm tudo para incitar  crianças a amarem bons livros. Basta que os tenham lido, e os apreciado de verdade. Não se devia permitir que jovens consumissem literatura “como jiló”. É crime de lesa-espírito!&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                        *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;h3&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;“Computadores, televisão e quadrinhos atrapalham a leitura”. Preconceito  puro. E superado. Mas existem as resistências. As mídias devem somar e têm essa propriedade. Além do mais, não há mais como não contar com elas, no dia a dia da criança e do jovem. O melhor é tirar partido. &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: verdana,geneva; font-size: small;"&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                        *&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/h3&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:15051</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/15051.html"/>
    <issued>2011-05-24T23:39:38</issued>
    <title>Por uma vida melhor II - o LD</title>
    <published>2011-05-24T23:22:22Z</published>
    <updated>2011-05-25T23:08:00Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Isto posto, vamos ao que me toca profissionalmente, mais de perto. O objeto/meio livro. E um livro didático, que eu chamo de LD. Aquele parecer a respeito de falares,  de que "não está errada" esta ou aquela forma coloquial não é adequado à finalidade da obra que é de ensino,  justamente da norma culta. Se norma culta parece besta, vamos entender que seja a linguagem formal, pronto. Não por obediência cega, não por falta de espírito crítico, não por censura aquilo não deveria estar ali. Nâo deveria estar ali porque é um juízo de valor de alguém, que seja o seu autor ou autora;  e o lugar da opinião, do juízo, não é certamente o livro didático. São os foruns, é a imprensa, é a comunidade profissional, a família, a sociedade.  Mas está ali. E sozinho o livro atingiu, só para começar, em torno de seiscentas mil cabeças, passando por cima da cabeça do professor, direto para as cabecinhas em formação, ainda mal formulando um discurso com a correção (formal) mínima. Este é o poder dado a este tipo de livro, que de auxiliar do professor, passou a seu superior direto . Lembro-me que certa vez escrevi um artigo  - Lições de uma montanha de livros - descrevendo uma situação em que me via diante de uma quantidade imensa de livros para fazer triagem, e milhares, milhares mesmo - não menos de três dígitos - de exemplares do Livro do Professor. Examinei alguns e vi que não eram apenas orientações pedagógicas, eram a reprodução fiel do mesmo didático que ia para as crianças, só que com as respostas corretas, inclusive respostas discursivas. Em todas as disciplinas! Bem, podemos pensar, em todas as profissões temos nossos manuais, mas aqueles não eram manuais. Era como se um médico tivesse que, ao atender seu paciente, buscar seu diagnóstico nos manuais de Medicina  - ou um advogado nos tratados de Direito - é claro que eles o farão, em caso de dúvida, mas vemos que não é usual, já que eles têm o domínio de sua especialidade, e a autonomia   necessária para fazer as suas intervenções, só com a experiência, o conhecimento adquirido. Então, que poder é esse do livro didático? Que autonomia é essa do professor?  É o que precisa ser posto. &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Por uma aspecto é  bom que tenha acontecido com o poderoso LD. De outro modo, quando haveria a oportunidade de se levantar algo que, para mim, e , acredito, muitos, não é  senão a questão da autonomia e autoridade do professor que tal estado de coisas coloca em jogo?&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:14828</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/14828.html"/>
    <issued>2011-05-21T23:48:42</issued>
    <title>Por uma vida melhor</title>
    <published>2011-05-22T00:00:23Z</published>
    <updated>2011-05-22T00:00:23Z</updated>
    <category term="porumavidamelhor"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Preconceito linguístico. Sob esta justificativa, um livro didático ("Por uma vida melhor", prof. Heloísa Ramos, editora Global ) relativiza o "falar certo" e "o falar errado". Dizia um velho ditado, de boas intenções o inferno está cheio. Acredito, sem a menor dúvida, nas boas intenções dessa professora aposentada, uma das autoras do livro. Recebeu uma saraivada de ataques, da grande imprensa, na redes e não serei eu mais um a jogar tomates. Quero abordar essa questão e fazer alguns links com a intenção, não a pretensão, de que alguns façam bom uso deles. É verdade que o "falar errado" é objeto de bullying. E que falar errado tem duas vertentes, a baixa instrução na língua pátria e o regionalismo. Todos conhecem muitas piadas e brincadeiras com  o "mineirês", o "baianês" e "gaúchês", entre outras falas originadas nos estados e no interior do Brasil, e que inclusive são salutares, quem não há de compreender a existência dos múltiplos falares no país. Porém, a mais grave é aquela de recorte social, aquela que alija e exclui os indivíduos de suas oportunidades. Não são a raras as ocasiões que pessoas humildes são vítimas de chacotas, por falar "ferindo a  norma culta", seja presencialmente nas escolas, seja pelos meios de comunicação (nos humorísticos), ou Internet. Nesse sentido "Seu Creysson" é mais pernicioso que Chico Bento, embora ambos igualmente abalroem a língua-mãe. Enfim, até aí nada demais que nas escolas se comentem os falares diversificados, mas monumental é a confusão que se dá entre  os falares e a norma que estrutura organicamente a língua; a língua tem flexão, tem gênero e um conjunto de outros aspectos que a tornam una e única em sua expressão. "Os livro", então, está errado quando a norma  estabelece que o plural afeta os termos de uma oração. Pode-se relativizar as falas, mas as regras apenas quando as mudanças culturais se impóem. Exemplo muito citado:  Vossa Mercê, vosmicê e Você. Foi uma evolução que só se deu no século XIX apenas. O pronome vós e os possessivos vosso(os,a,as)  são candidatos fortes ao museu da língua de estritíssimo uso; na área religiosa e jurídica. Asim muitas categorias devem estar condenadas ao ostracismo porque todos concordam que a  língua é organismo vivo e poroso aos intercâmbios da sociedade. Hoje os intercâmbios são muito mais diversificados, em razão da globalização.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;(Continua)&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:14544</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/14544.html"/>
    <issued>2011-04-18T00:47:10</issued>
    <title>O espírito da letra</title>
    <published>2011-04-17T23:51:02Z</published>
    <updated>2011-04-17T23:54:27Z</updated>
    <category term="josécastello"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;em&gt;“Leitores são puro mistério. Com os olhos alterados pelas sombras da loucura, Wellington Menezes de Oliveira , o atirador que matou 12 crianças em uma escola o Realengo, no Rio, leu trechos dispersos dos Evangelhos e do Alcorão como se fossem manuais de armas. Terroristas agem movidos pelo mesmo erro. O problema é que toda leitura  - mesmo a mais atenta e sábia – é sempre uma desfiguração. Toda leitura é deformada. Para meu incômodo, voltam-me as palavras de Augusto Roa Bastos: “Os livros não existem. Na cabeça de cada leitor, um livro é sempre outro livro”. O problema não está na constatação de que a letra é um abismo povoado por muitos espíritos. Está em esconder isso e supor que a leitura, ao contrário, é uma pedra. Leninistas e trotskistas ainda hoje discutem a maneira correta de ler Karl Marx. Freudianos e lacanianos disputam a “posse” da verdadeira leitura de Sigmund Freud. \um veio fundamentalista atravessa essas divergências. Contra os adeptos da leitura dura e encrespada em que a letra se faz grilhão, prefiro o sentido que lhe empresta a literatura, em que as palavras traçam sinuosas em que nos perdemos”.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Em outro trecho, JC declara: &lt;em&gt;“Um mundo sem escrita (sem palavras) é um mundo louco. Do mesmo modo, um mundo intoxicado  de palavras – o mundo de Wellington – é uma terra devastada. A escrita não é só uma técnica. Não é algo que se faz, é algo que se sofre.(...) Toda escrita é parcial – atrás da presença luminosa dos traços, inscreve-se uma ausência. É essa ausência que os fundamentalistas, com sua arrogância, desprezam.(...) Sem as palavras o mundo parece mais simples, mas torna-se também mais assustador . A letra pode ser destruída, pode congelar nos porões da ordem, mas seu espírito  não se prende. (...) Antes que a escrita se torne pedra, antes que asfixie e mate,(...) morta pode enfim conectar-se com os espíritos que vagam entre as letras. Preserva assim a força das palavras, não como armas de guerra, mas como um fio a que, com grande esforço, nos agarramos”&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;              (José Castello, O espírito da Letra, &lt;em&gt;O Globo&lt;/em&gt;, Prosa e Verso, 16 de abril de 2011).&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Costumo anotar pérolas sobre leitura que nos levam a inúmeras reflexões. Neste artigo o colunista citado comenta o romance de Yasmine Gatha , &lt;em&gt;Tinta Negra&lt;/em&gt; , em Rikkat Kunt, o personagem se aproxima (com leveza) das páginas do Alcorão e dos escribas árabes.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;É claro que só os pequenos trechos acima dariam um tratado – sem durezas e encrespamentos – sobre produção de sentido – para o bem e para o mal -; sobre as convicções que são nada mais do que escolhas éticas (ou antiéticas), sobre fundamentalismo no ensino, onde reprodução é “interpretação”; na constatação evidente mas importante de que há o livro que é apenas o suporte, aquele “do copista”, que é a pedra, e aquele livro que ‘vai para a cabeça”, da recriação, da desfiguração e da loucura. E, digamos, acima do Bem e do Mal, a Literatura, na qual nos perdemos em suas sinuosidades e ausências, porque a Literatura não se pretende empedrar, congelar, engessar, dogmatizar enfim “asfixiar e matar”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Os belos Alcorão e Evangelhos nutrem-se de Literatura à exaustão, mas com o propósito não de libertar o espírito, mas aprisioná-lo no “porão da ordem”. Assim toda uma literatura dita “de elevação moral e espiritual do homem” vem desta tradição de se ler ao pé da letra ensinamentos, arrastando o leitor a um sentido único, a um “senso comum”, exacerbado por psicopatas como Wellington Oliveira. Ao contrário desses a literatura libertária, com suas sinuosidades e ausências, povoam nossa imaginação e nos instiga. A ilustrar citaríamos como libertários um outro Evangelho, o de José Saramago, e mais outro, a obra de Kafka , Jonathan Swift, Cervantes e Lewis Carroll, esses devidamente  “infantilizados” para esterilizar o sentido anárquico e desfigurado de seu discurso, porque só um discurso “conexo e coerente” é moralmente aceitável para os fundamentalistas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enfim, disse muito pouco ou muito menos que José Castello, mas aqui não se faz uma aposta, aqui o brilhante artigo do colunista é uma luz que se acende para nós sobre o espírito da letra e das letras, e principalmente, nos interessa saber muito e cada vez mais sobre o que nos prende e nos asfixia.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:14094</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/14094.html"/>
    <issued>2011-03-23T21:01:50</issued>
    <title>O conselho de Tolstói</title>
    <published>2011-03-23T21:07:00Z</published>
    <updated>2011-03-26T20:32:41Z</updated>
    <category term="escrever"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Tolstói anotou em seu diário: “Escrever não é difícil, o difícil é não escrever”. Essa frase deveria ser o lema da literatura contemporânea” (Ricardo Piglia, 2011)&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Poderíamos dizer que  não foi exatamente um “conselho de Tolstói” mas um exemplo ele ter abandonado a literatura, coisa que certamente seria de se lamentar e não se regozijar. Quantos deveriam ter o &lt;em&gt;dever moral&lt;/em&gt; da fazer tal renúncia, mas não o fazem. Parecem escrever “a metro” e usando a expressão um tanto rasteirinha, escrevem &lt;em&gt;muito&lt;/em&gt; e muitos dos quais são uma bela porcaria.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; Ah, mas o que é porcaria para você  e uma porcaria para mim?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ranganathan dizia que “há sempre um leitor para um livro”, hum... o mesmo que “um chinelo velho para um pé cansado”, mas o ilustre bibliotecário não especificou &lt;em&gt;o quanto &lt;/em&gt;esse leitor é complacente.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Pois é, fica complicado, mas não é tão difícil  assim   estabelecer algum parâmetro, porque todos têm aquela “honrosa” exceção, mas vamos tentar:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;a)      A desconfiança de que o que você escreve não é bom o bastante é quando é recusado por um punhado de editoras; atenção, há exceções deste caso entre grandes escritores; você ainda não deve desanimar;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;b)      Quando você, ignorando o parecer de boas editoras, &lt;em&gt;mesmo assim&lt;/em&gt; edita sem selo, ou inventa um selo para publicar; e gasta uma baba! Aí começa o perigo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;c)      Quando você ignora que &lt;em&gt;nove entre dez&lt;/em&gt; livros auto-editados não são bons o bastante. Leia apenas &lt;em&gt;um&lt;/em&gt; de seus pares.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;d)      Quando você participa de uma coletaneazinha de ilustres desconhecidos, entrando com uma &lt;em&gt;graninha&lt;/em&gt; de co-participação.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;e)      Quando o que você publica fica estocado na sua casa, depois de distribuído a todos os amigos e familiares;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;f)        Quando o “grosso” de sua tiragem vai parar na coitada da biblioteca que cuida de passá-la adiante. Nunca vi um “estoque” de  Guimarães Rosa  ou Clarice Lispector aparecerem na minha biblioteca.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;g)      Quando você se vale de algum prestígio pessoal para publicar, ou de algum cargo político, que franqueia edições para você como a editoras da Câmara ou Senado, por exemplo.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;h)      Quando você se vê tentado a “cometer” uma literatura infanto-juvenil para angariar patrocínios oficiais e “adoção” pelas escolas. Literatura infanto-juvenil é o sonho dourado de maus (e bons também) escritores, por ser uma mina de ouro.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;i)        Finalmente, quando você se vale de um tema que tem “mídia” para escrever um livro: aí é marketing, não literatura. Ex. Bullying.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Enfim, apontei um bom número de  indicadores – e creio que há mais - em que você pode facilmente se enquadrar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Para não ser tão radical, sinceramente, não acredito que, se você fez alguma dessas coisas, tenha sido por mal: foi &lt;em&gt;só&lt;/em&gt; vaidade!&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não que você vá seguir à risca o exemplo do grande Tolstói, mas como &lt;em&gt;não escrever&lt;/em&gt; é difícil, faça como eu: use à vontade a Internet, essa bênção da modernidade.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;* &lt;strong&gt;Nota: aos amigos que publicam apenas por diversão, em pequenas tiragens, esse artigo não é para vocês, é para os pretensiosos&lt;/strong&gt;.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:13944</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/13944.html"/>
    <issued>2011-01-18T20:07:11</issued>
    <title>Como Dewey pode ajudar a mudar a educação?</title>
    <published>2011-01-18T22:08:48Z</published>
    <updated>2011-01-19T21:24:17Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Não, prezados leitores, não é o Dewey- John, filósofo e educador, é o velho Dewey- Melvil, sim, o bibliotecário, criador da famosa CDD que até hoje as bibliotecas cultuam, a bíblia dos bibliotecários , o código " Hamurabi" da classificação. Pois bem, Dewey ao construir sua indestrutível tabela, partiu de um grupo de 9 perguntas diretas e simples:&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; 1.De onde viemos, quem somos?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; 2. Quem nos criou? &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; 3.Como entender o mundo à nossa volta?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; 4.Como nos relacionamos?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; 5. Como entender e aplicar conhecimento sobre a Natureza?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; 6.Como entender e apreciar a Arte?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; 7.Como nos divertir?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; 8.Quem são e como são nossos heróis, personagens e fantasias?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; 9.Como registrar os feitos e acontecimentos do Passado para legar às gerações do Futuro?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A primeira pergunta,- &lt;em&gt;De onde viemos, quem somos&lt;/em&gt;? - aplicada à tabela, se refere, claro, a categorias filosóficas. É claro que não se vai ministrar filosofia aos pequeninos desde as séries mais iniciais, mas nessa rubrica já podemos introduzir elementos da identidade: seu nome, sua família e sua casa. Já a partir do fundamental (5º ano) já podemos ampliar essa identidade: elementos étnicos , costumes, crenças e folclore e tudo que nos diferencia dos demais povos. Do 6º pra frente, o homem como indivíduo físico e cultural. Já no segundo grau, elementos mesmos de Filosofia que contemplam esses temas.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A segunda pergunta  tem um viés religioso  - &lt;em&gt;Quem nos criou?&lt;/em&gt; - porque Dewey a considerava de extrema importância, por ser cristão fervoroso, e sua tabela é predominantemente detalhada nesse quesito. Porém, a escola pode introduzir rudimentos da Criação, tanto do ponto de vista científico - o Universo, o Cosmos e os seres - tanto quanto ou também religioso, sendo esse último polêmico - Bíblia ou Darwin? Já entre as crianças (do 5º em diante) maiores, as primeiras noções de biologia. Que serão ampliadas pela pergunta 3: &lt;em&gt;como entender o mundo à nossa volta? &lt;/em&gt;- até o 5º ano, o microcosmos social, a vizinhança, o bairro e o município, e a partir do 2º ciclo, noções mais aprofundadas sobre o Meio ambiente e biodiversidade, o meio urbano e sua complexidade, conhecimentos geográficos. No segundo grau, aspectos teóricos e críticos, envolvendo Economia, Ecologia e Política.  A 4ª,  - &lt;em&gt;Como nos comunicamos? &lt;/em&gt;a linguagem aplicada, desde a alfabetização até a proficiência na lingua desde as etapas da palavra, frase, enunciado e discurso como construção, sendo (sugestão minha) que a análise morfológica e  sintática somente a partir dó 6º ano. A 5ª,- &lt;em&gt;como entender e aplicar conhecimentos sobre a natureza - &lt;/em&gt;se aplicaria às Ciências Exatas - Matemática, Astronomia, Ciências da Terra, Invenções e Tecnologia, desde todo o fundamental  e no segundo grau, Química, Física e Biologia aplicada, quando entram  fórmulas e conceitos, cujos rudimento o estudante já viu na 2ª pergunta. A 6ª - &lt;em&gt;Como entender e apreciar a Arte&lt;/em&gt;  desde os primeiros até o último ciclo, seria prepará-los a tornarem-se espectadores, o que implica em ver filmes, peças, recitais, leituras,exposições e eventos. Uma variante é também praticar arte como atividade extra-curricular. Sétima pergunta, &lt;em&gt;como nos divertir? &lt;/em&gt;- pode estar ou não incluída na anterior, mas de natureza totalmente livre e à escolha do indívíduo estudante: esportes, dança, artes marciais, informática etc. A 8ª  - &lt;em&gt;Quem são nossos heróis etc. &lt;/em&gt;-e à qual Dewey também oferece extensa tabela é a Literatura, que se refere a conhecer autores  tanto universais quanto nacionais, não como especialistas, mas apreciadores e possíveis produtores. Tal condição exige uma capacitação apurada e dedicada do desempenho na língua ao longo do tempo proposto pela 4ª pergunta. E finalmente, a 9ª - &lt;em&gt;Como registrar fatos e acontecimentos etc.&lt;/em&gt; - a História deve ser introduzida à medida que se estuda a nossa identidade, nossa origem e, principalmente, entendida como registro de fatos importantes para entendermos o país e a  Humanidade como ela é hoje.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;As perguntas são fios condutores que podem auxiliar a montagem de currículos e não um esquema pedagógico rígido, mas certamente Dewey nos oferece uma alternativa à celebre pergunta recorrente nos estudantes sobre as disciplinas: por que estudamos isso, por que preciso disso? Uma outra coisa de grande valor é que a proposta é temática, ou seja as disciplinas vêm responder aos temas e não o contrário. A disciplina é necessária para entender determinado tema, mas os temas é que a subordinam. Não vejo nada mais inovador! E pensar que a ideia vem lá do século XIX...&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:13734</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/13734.html"/>
    <issued>2011-01-12T01:18:15</issued>
    <title>História adulterada</title>
    <published>2011-01-12T01:30:40Z</published>
    <updated>2011-01-12T01:30:40Z</updated>
    <category term="adulteração de clássicos"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;&lt;strong&gt;JULIANA VAZ&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;COLABORAÇÃO PARA A &lt;strong&gt;FOLHA &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;MARCO RODRIGO ALMEIDA &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;DE SÃO PAULO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No capítulo 32 do livro "As Aventuras de Huckleberry Finn", quando tia Sally pergunta se havia feridos num acidente com um barco a vapor, o garoto Huck responde: "Não. Só matou um negro"."Que sorte; porque às vezes tem gente que se machuca", diz, aliviada, a tia.&lt;br /&gt;Publicado por Mark Twain (1835-1910) em 1884, o romance conquistou milhares de fãs apaixonados e também muitos detratores que o acusavam de racista por conta de passagens como a descrita acima. Por anos foi proibido nas escolas dos EUA.&lt;br /&gt;Quase 130 anos depois, o livro continua a provocar controvérsia. Uma nova versão de "Huckleberry Finn", que deve sair em fevereiro nos EUA pela NewSouth Books, substitui a palavra "nigger" [algo como crioulo] por "slave" [escravo].&lt;br /&gt;Termo racial pejorativo, "nigger" aparece mais de 200 vezes no livro. Autor da ideia da troca, o professor universitário Alan Gribben disse que se sentia constrangido em ter que pronunciar a palavra nas aulas.&lt;br /&gt;Professores e tradutores brasileiros ouvidos pela &lt;strong&gt;Folha&lt;/strong&gt; foram unânimes em criticar a proposta.&lt;br /&gt;"A onda do politicamente correto pode levar ao apagamento do processo histórico", disse Sandra Vasconcelos, professora de literatura na USP. "Como professora, não posso concordar com essa "limpeza". O uso da palavra deve ser interpretado de acordo com o contexto."&lt;br /&gt;Heloisa Helou Doca, professora de literatura americana da Universidade de Marília e autora de tese de mestrado sobre Twain, diz que o autor, na verdade, era um idealista que lutou pelos desfavorecidos, incluindo os negros.&lt;br /&gt;"Twain deu luz a personagens subalternos. A intenção dele era parodiar a mentalidade racista do americano médio do século 19."&lt;br /&gt;Para Doca, mais útil seria incluir notas explicativas no livro. "O importante é mostrar ao aluno o sentido do uso do "nigger" e outras situações que despertam polêmica."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;LOBATO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O caso guarda semelhanças com o de Monteiro Lobato, cuja obra "Caçadas de Pedrinho" (1933) foi, no ano passado, acusada pelo Conselho Nacional de Educação de conter trechos racistas. Mas os dois autores se aproximam não apenas por terem sido alvo de julgamentos alheios a seu tempo. Admirador de Twain, Lobato trouxe a prosa do autor americano para o Brasil, na década de 30.&lt;br /&gt;Sua versão de "Huck Finn" contém as palavras "negro", "escravo", "preto" e variantes. Em uma passagem, "big nigger" vira "negrão".&lt;br /&gt;Tradução mais recente do clássico, feita por Sergio Flaksman nos anos 90, traduz o trecho como "escravo alto", mas também usa "negro" ao longo do livro.&lt;br /&gt;Sobre a alteração na nova edição americana, Flaksman disse que "me deixa indignado que qualquer editor ou revisor considere legítimo qualquer manipulação a posteriori de uma obra literária".&lt;br /&gt;Tradutores fazem coro. "É o equivalente a estuprar um livro", afirma Jorio Dauster. "Sou contra as atualizações porque desfigura a obra de arte", conclui Ivo Barroso.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;OPINIÃO &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Sanitarização de obra de arte é monopólio da estupidez&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;IVAN FINOTTI&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;DE SÃO PAULO &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é uma obra de arte, senão um retrato de seu tempo? Não mais, segundo atuais padrões do império norte-americano. Para a nação mais politicamente correta do mundo, voltar atrás e refazer a realidade como ela deveria ter sido (na opinião de alguns) não é problema.&lt;br /&gt;Atentados contra a realidade acontecem há milênios. A própria história, com seu clichê "escrita pelos vencedores", não é fonte de verdade absoluta.&lt;br /&gt;Mas o que espanta no caso desta semana é que quem propôs a alteração no livro de Mark Twain é um professor universitário. E quem concordou são pessoas supostamente comprometidas com as letras, editores de livros.&lt;br /&gt;O professor disse que não quer sanear a obra de Mark Twain. "A crítica social aguçada continua lá", opinou ele. Sim, está lá a crítica social que ele considera digna de estar lá.&lt;br /&gt;Se Mark Twain escrevia crioulo para se referir a escravos em "As Aventuras de Huckleberry Finn" (1884), e não se usa mais essa alcunha no século 21, trata-se de prova incontestável de evolução social. Ao censurar a palavra, o professor e a editora desrespeitam 126 anos de luta por direitos humanos.&lt;br /&gt;Essa mesquinhez histórica não é monopólio norte-americano. Quando a igreja torturava pessoas, aproveitava para pintar panos em cima do pênis e seios de seres bíblicos retratados em quadros e afrescos.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;FONTE: Folha de São Paulo, 8 de janeiro de 2011 (Ilustrada) via &lt;a href="http://sergyovitro.blogspot.com/2011/01/historia-adulterada.html"&gt;http://sergyovitro.blogspot.com/2011/01/h&lt;wbr /&gt;istoria-adulterada.html&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:13486</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/13486.html"/>
    <issued>2010-12-19T06:28:45</issued>
    <title>Literatura, violência e liberdade                  Marco Lucchesi</title>
    <published>2010-12-19T06:31:20Z</published>
    <updated>2010-12-19T06:31:20Z</updated>
    <category term="literatura violência"/>
    <content type="html">&lt;p&gt;Na ordem do dia, a reforma do código de processo penal, com todos os seus desafios&lt;br /&gt;e o peso maior das penas alternativas face ao número crescente da população carcerária, de que ressalta, aliás, a terrível imagem dos prisioneiros de Vitória, no limite da asfixia, dentro de um contêiner, no qual disputavam quotas mínimas de oxigênio. São algumas de outras muitas questões a serem enfrentadas&lt;br /&gt;por um projeto democrático de segurança pública, integrando diversos setores da sociedade, num diálogo&lt;br /&gt;essencialmente republicano, como têm insistido a Ordem dos Advogados do Brasil e o Conselho Nacional de Justiça, no quadro veemente de nossos dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ponto essencial parece de todo esquecido: os pressupostos de uma educação para a liberdade. Não apenas para os que vivem deste lado, como também aos que se encontram na outra margem. A cidadania precisa avançar com passos firmes, intramuros, ao centro da comunidade, do asilo e da prisão. Não há como desconsiderar tais extremos, relegando-os a um segundo plano, matéria exclusiva dos assim chamados especialistas, numa zona definida como técnica e, portanto, nebulosa, fora da transparência que se exige de uma sociedade livre. Devemos criar de modo permanente mecanismos para defender e&lt;br /&gt;aperfeiçoar a democracia, como dissera Norberto Bobbio e Boaventura dos Santos. E entre aqueles mecanismos, uma estratégia forte consiste em ocupar as regiões remotas e capilares do tecido social, na promoção de uma cultura da paz como avalista e salvaguarda da diversidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aprendi alguma coisa na correspondência bissexta que mantive com mais de um preso, cujos rostos e cujas penas jamais conheci. Um pequeno maço de cartas reunido por mera afinidade literária, sobre a paixão de ler e uma espécie de ética do leitor, às vezes algo ingênua, mas quase sempre fascinante. Muito do que se perdeu nas faculdades de letras viceja em algumas de nossas prisões. Uma entrega total e quase desesperada ao livro. Uma aposta de sonho e liberdade. Uma vida que ainda pode renascer das cinzas. Fundamentos de uma visão de mundo, cuja base indaga uma dimensão que se encontra para além da justiça, como escreve Agnes Heller.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um de meus amigos postais, invisíveis, trabalha na expansão da biblioteca de um famoso presídio, já&lt;br /&gt;com mais de dois mil volumes. Pede um volume maior de doações, entusiasmado com essa pequena Alexandria, nas entranhas do sistema carcerário de São Paulo. Promove, ao mesmo tempo, a formação de leitores, para que a biblioteca seja um organismo vivo e aberto, projeto de reconquista do espaço, quando não da identidade, desfeita em mil pedaços. Clarice Lispector e Dostoievski andam ali lado a lado. E, não bastasse, há um projeto de letramento para os leitores potenciais, que jamais frequentaram a escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro preso organiza tertúlias literárias, a partir de temas e debates nascidos de um romance ou de um conto.&lt;br /&gt;Pequenos seminários, dentro das celas, produzem um feixe de opiniões regionais levado a plenário, numa discussão maior, na qual o representante de cada grupo elabora um mapa de leitura. Inclinados a compreender o erro, discutir as sombras do humano e o sentimento de justiça. Tal foi o caso de “O alienista”, de Machado de Assis, aplaudido em plenário com a ideia da abertura do manicômio. Foi para eles o ensaio de um mundo que os representa, a inscrição de uma parcela de vida. Ou de futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De outra prisão, em Rebibbia, na Itália, chega-me a notícia de uma oficina literária, onde os alunos recebem fragmentos de um texto, cabendo- lhes a tarefa de criar um desfecho. Como se tomassem as rédeas de uma vida nova, articulada no concerto social. E sempre em torno de um relato de viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas vozes da prisão oferecem uma quota maior de oxigênio para o debate. E concordo plenamente quando um deles me diz que a literatura é a irmã gêmea da liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARCO LUCCHESI é escritor. Fonte: O Globo/Opinião 15 dez 2010&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:13081</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/13081.html"/>
    <issued>2010-12-16T12:27:25</issued>
    <title>Caçadas de Pedrinho ou da Literatura?</title>
    <published>2010-12-16T12:32:41Z</published>
    <updated>2010-12-16T12:32:41Z</updated>
    <category term="caçadas pedrinho"/>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;A polêmica suscitada em torno do livro de Monteiro Lobato, Caçadas de Pedrinho, vem ao encontro de questões que há algum tempo levanto a respeito da escolarização da leitura literária, cujos artigos estão neste blog. O livro sofre, através da escolarização, um processo de “enquadramento”e diria até mais, de patrulhamento e dirigismo que não se compara a nenhum outro bem cultural, particularmente o livro literário. Alguém já viu esse tipo de cerco à discografia ou filmografia? Pois bem, as crianças mal começam a ler, já tem que “se orientar” pelos roteiros de leitura que vem das editoras, acompanhando as obras (e que eu sempre jogo no lixo sem a menor piedade), como se o leitor não tivesse capacidade de “decifrar” a inextricável trama ou o sentido de uma obra; já assumindo para seu público que literatura é algo “muito complexo” que precisa de ajuda para ser consumido, ou seja, a literatura vem acompanhada de bula ou manual, tanto faz, porque “não é para qualquer um”. Nessa perspectiva, também se pensa que aquele leitor, desde a tenra idade, será um crítico sagaz, se assim for “ensinado”, e, mais tarde, um erudito, ou o seu oposto, que o pequeno é um projeto de imbecil, incapaz de inferir, de tirar um ensinamento ou um princípio, por si mesmo, de qualquer coisa que leia. Ledo engano. A crítica e a erudição se fazem de acordo com a trajetória intelectual de cada um, que é tanto vocacional como do contexto social. Enquanto isso as crianças, e de todas as classes, vão lendo os Harry Potter e os Crepúsculos da vida! Sem entrar no mérito dessas obras, esses leitores já tem comprovadamente a fluência em leitura necessária para “encarar” esses calhamaços de 300, 400 páginas ou mais, se lhes agradar. Foram “apenas” e simplesmente capacitados a lê-los, e nenhum desses livros veio com bula. Quando a produção editorial entrou na “didatização” do que não precisa, como a Literatura, foi para entrar na concorrência ($) pela preferência das escolas, que, por sua vez, preferem o material “facilitado” para o professor. Dessa política, resultaram também adaptações de clássicos para crianças beirando o ridículo, como algumas de Shakespeare. Outro mostrengo para tornar palatáveis temas “espinhosos” da História e Ciências sociais, e mesmo das Ciências Naturais, foi introduzir alguma ficção nelas como “tempero”ou edulcorante, prática abundante em muitas coleções para jovens, de editoras “pedagógicas”, sem o menor respeito pela capacidade de recepção do jovem ou criança. Essa intervenção é patrulheira e castradora dos processos de recepção e, ao contrário do que preconizam, compromete a visão crítica que não é originada no leitor, é “ensinada”. Não estou aqui inovando nada, vários autores já denunciaram essas práticas, que são, na essência, disputa pelo mercado, visando tanto às escolas quanto às compras governamentais. Entre um livro “didatizado” e um não “didatizado” para jovens, qual é o preferido? Elementar, meus caros, para a contabilidade das editoras e mesmo de alguns escritores profissionais. Quanto a Monteiro Lobato e seu “Caçadas de Pedrinho”, mais um pretexto de patrulha, intervenção e o que mais vier, para tentar fazer da Literatura um nicho cada vez mais privilegiado de uma pequena aldeia de letrados que pensam que pensam por todos. Aliás, para quê, tomar chá na Academia? Liberdade para a Literatura!&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:12705</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/12705.html"/>
    <issued>2010-07-18T07:40:53</issued>
    <title>Tristes arremedos literários</title>
    <published>2010-07-18T07:28:05Z</published>
    <updated>2010-07-18T07:41:19Z</updated>
    <content type="html">&lt;p class="data"&gt;Esse primor de artigo, cujo conteúdo endosso na íntegra, vai no rastro da crítica que faço ao que chamo de escolarização da leitura literária. Um dos vícios capitais de muitos que se dizem "incentivadores/formadores" da leitura:&lt;/p&gt;
&lt;p class="data"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p class="data"&gt;&lt;em&gt;Coleção transforma pbras clássicas em tristes arremedos literários. &lt;strong&gt;Wilson Alves-Bezerra &lt;/strong&gt;* O Globo - Prosa e Verso 03/07/2010 p.4&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p class="data"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há um divertido conto do húngaro Dezsö Kosztolányi (1885-1936) que conta a história de um cleptomaníaco que se torna tradutor. Ao traduzir o primeiro romance para o húngaro, ele compulsivamente subtrai lustres, joias, janelas e outros objetos de valor da obra original. Perfeito seria o crime se o leitor, supostamente não proficiente na língua do autor, de fato não pudesse ir ao original e comprovar o que lhe foi furtado. Tal conto nos traz alguns elementos para pensar sobre a coleção &lt;em&gt;É só o começo&lt;/em&gt;, da L&amp;amp;PM. Com nove títulos publicados, de autores como Shakespeare, Cervantes, e os brasileiros Machado de Assis, Lima Barreto, Aluísio de Azevedo, entre outros, ela oferece edições com “linguagem adaptada para um público específico”, o que ela chama de “neoleitores”. O alvo são estudantes até a oitava série. O pressuposto é que o “neoleitor” não teria condições de ler os originais e que é preciso “facilitar a leitura”. Há algo inquietante na facilitação vir justamente no momento em que os leitores estão em formação. A regulação da iniciação literária dos jovens, proposta pela coleção parece desconsiderar a possibilidade da paixão literária, o arrebatamento de um primeiro amor juvenil, que poderia advir do contato com um grosso volume de uma biblioteca alheia — seja ela a da escola, da família, ou de um sebo. A brevidade e a simplicidade das versões adaptadas parece postergar para um momento incerto o contato efetivo com a literatura, como se primeiro fosse preciso “aprender a aprender a ler”, para só depois ler de fato. É a impressão que causa a edição infestada de notas de vocabulário , geografia, história, indicações de sites e filmes; com isso, o literário fica em segundo plano e o livro se torna fonte de informações enciclopédicas. Desconsiderando a hipótese da paixão pela literatura, a coleção rege-se antes pelo princípio de amor médico, higiênico de que mais prudente é contratar uma preceptora para as primeiras letras do jovem , para evitar que ele se depare com coisa pior pela rua (como o amor, o desejo). Num primeiro momento, seria de se comemorar uma edição pedagógica de Romeu e Julieta  que permite que o jovem leitor tenha acesso ao dramaturgo inglês. Mas , olhando de perto, vê-se que da peça de Shakespeare o adaptador furtou o teatro e a poesia , o encanto da linguagem, , a gilidade dos diálogos. Furtou-nos Shakespeare sem deixar dele rastro que pudesse seduzir o jovem leitor para aventuras futuras. O paradoxo é que mesmo autores de escrita fina e cativante, simples em seu tempo, e nosso,como Lima Barreto tem que atravessar o moedor da adaptação, vendo empobrecerem-se sua ironia e humor. Além disso, o texto do mestre carioca é dotado na versã "neoleitoril" de um discuros pedagógico, de todo inexistente no original. Assim, autores tão distintos como o que podem ser Shakespeare e Lima Barreto foram achatados  a um estilo médio, de um vocabulário que não excede a duas mil palavras, condensados e livres de peculariedades de estilo e que em quase nada nos lembram o original. Por que é que uma coleção que diz apostar na iniciação literária deita fora o que há de mais importante na experiência da leitura: o confronto com uma linguagem  que não se confunde com a do dia a dia, e oferece ao leitor um convite à descoberta?  Antonio Candido , num texto fundamental " A literatura e a formação do homem" (1972) lembra-nos das agruras dos jovens insones, noite adentro, sob o impacto das obras como as de Aluízio de  Azevedo. E diz que a literatura forma o homem não no sentido rasteiro de uma pedagogia do bem-viver, mas no sentido alto de confirmar-lhe a humanidade, com suas agruras e contradições. Assim pedagogizada,  as primjeiras experiências literárias ficam como que formatadas ao protocolo da leitura obrigatória, instrutiva e desinteressante. A coleção É só o Começo caiu na sedução popularesca da facilitação de acesso a alguns clássicos brasileiros e ocidentais, mas tornou-os um triste arremedo literário que subestima o jovem leitor.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;small&gt;*Wilson Alves Bezerra é professor de Departamento de Letras da UFSCar, tradutor e escritor&lt;/small&gt;&lt;/div&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:12413</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/12413.html"/>
    <issued>2010-07-07T06:57:22</issued>
    <title>Menos é Mais II</title>
    <published>2010-07-07T07:22:22Z</published>
    <updated>2010-07-08T12:57:54Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;Insisto em capacitação. Os professores hão de ficar admirados com a audácia de uma bibliotecária, mas longe das comparações, isso me lembra uma historinha de Rui Barbosa que não sei se é verdade. Dizem que ele, quando viveu em Londres, colocou um anúncio onde dizia "Ensina-se inglês". Diante do espanto geral, ele colocou "Ensina-se inglês aos ingleses". Estou mais ou menos assim, não que venha sacar métodos ou pedagogias ou grandes novidades, mas uma filosofia dentro do princípio do Menos é Mais.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O que chamo de capacitação para a leitura é o letramento progressivo por aquisição de habilidades, que vai desde o reconhecimento dos simbolos gráficos até a completa proficiência, que é ler reconhecendo os discursos dos diferentes gêneros, ter idéia ou domínio de denotação e conotação, entonação e fluência oral adequada a cada gênero, além da produção de sentido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A pedagogia dos materiais a se utilizarem de acordo com cada faixa etária é por conta, é claro, do professor. Porém, as demandas pelas categorias gramaticais (o léxico) devem vir naturalmente, nunca se sobrepondo, mas a serviço dessas competências, à medida que aparecem. E facilmente aparecerão em virtude dos erros na prática. De que servem listagens de preposições, conjunções e advérbios etc, se não estão aplicados aos textos? Se não são estudados no contexto? Idem para ortografia , regência e tudo o mais?&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;A escola deveria se debruçar nesse projeto de capacitação pelos primeiros cinco anos. Por que? Porque a partir daí começa o ciclo das disciplinas. As disciplinas são os próprios discursos preponderantes. Matemática é abstrata e lógica; História é narrativa, Geografia e Ciências são preponderantemente descritivas, enfim a língua é o guia para todos os saberes, e se já não tiverem algum domínio sobre ela, não terão sobre as demais matérias. Certamente há variáveis, eu sempre tive bom domínio da língua e sempre fui péssima em Matemática.E você pode ser bom em Matemática e ruim nas demais. Mas acredito, como em tudo que boto não só fé como observação de muitos anos, que um bom desempenho na língua contamina positivamente os demais campos do saber. E anima os pequenos a lerem.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Dito assim, parece simples. Menos é Mais. Menos o que? Menos crenças. Crenças em que, reconhecidos os símbolos gráficos, estão alfabetizados. Não estão. O aluno alfabetizado não lê aos tropeços. Outra:a  crença de que reprodução é interpretação. Qualquer criança repete qualquer história que viu ou ouviu. Isso é reproduzir. Interpretar é ir além do que está explícito, claro, desde que o texto tenha &lt;em&gt;afetado &lt;/em&gt;o leitor em algo. Por isso, incentivo-o (mostrando)a ler piadas, adivinhas, charadas e histórias em quadrinhos. O simples riso de uma criança numa dessas leituras é um sinal innequívoco de que o texto a afetou. De que ela realizou a produção de sentido.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Ainda sobre a produção de sentido, há uma intervenção que chamo de violência: roteiros pré-formatados de leitura que saem das editoras. A recepção não pode ser programada! Outra: edulcoração de temas pela substituição por ficção, em lugar do discurso dissertativo, também protagonizada pelas editoras. É um desserviço ao reconhecimento de gênero dos discursos e à desenvoltura discursiva. Quando pedirem para os alunos falarem em Revolução industrial, serão aprovados se contarem uma historinha de ficção? E, finalmente, para açucarar um clássico fazem adaptações que deformam importantes obras da Literatura Universal que, nem de longe, é aquilo que é apresentado. Por quem? Nem precisa falar.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Quando tinha 13 anos, li Crime e Castigo, de Dostoiévski e li A Metamorfose de Kafka. Gênio? Não. Adquiri competência necessária em leitura. Simples assim.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:12180</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/12180.html"/>
    <issued>2010-06-04T16:18:09</issued>
    <title>Menos é Mais</title>
    <published>2010-06-04T15:18:30Z</published>
    <updated>2010-07-07T05:55:38Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Há muitos esforços louváveis em favor da promoção da leitura entre crianças e adolescentes partindo do pressuposto de que ler é algo pessoal e transferível. Partilho dessa posição. No entanto observo uma montanha de recursos - programas, projetos editoriais belíssimos, a associação com entretenimento - que se investem e que presumo que vão para o ralo das coisas inócuas. A espetacularização da leitura, sobre que Marisa Lajolo discorreu tão bem,a demasiada crença em eventos e marketing, a crença na infantilização da informação para alavancar o interesse da crianças em temas relevantes, enfim, muitos acham que teem que fazer bilu-bilu ou colocar um nariz de palhaço cada vez que estão diante de uma plateia que "precisa ler". Com objetivo de que tais ações deem resultados efetivos na escolarização. Em alguns casos isolados dão. Não há dúvida de que as crianças que leem por si mesmas terão melhores resultados na escolarização, isso é facilmente comprovável, por que a competência em leitura alcança todas as disciplinas. O prazer de ler porém é pessoal, e diferentemente do ato de ler, é  intransferível. É inegável que pode haver "contaminação" deste prazer, mas jamais como fenômeno de massa, como muitos esperam. Uma feira de livros com a imagem de alegres crianças portando livrinhos é adorável, mas a afluência a esses eventos não pode se converter em um dado no desenvolvimento do leitor miúdo. Agora vamos ao ponto. O que leva ao desenvolvimento é a capacitação. Mas alto lá, a capacitação não vai garantir que o pequeno seja um "leitor formado"no sentido de consumir livros. É um direito de qualquer pessoa não gostar de ler, como acentuou Daniel Pennac em seu Decálogo do Leitor; há os que não gostam de música, de circo, de teatro, enfim das manifestações culturais, e ninguém os obriga a consumirem o que não gostam, como se faz com o livro. Mas se a pessoa não gosta de ler por opção, como é seu direito, por outro lado precisa de habilitação para ler contratos, bulas, rótulos de mercadorias, material publicitário, receitas, regulamentos e leis, discursos de políticos, notícias, manuais de instrução, operações matemáticas, e a mais variada gama de publicações de que vai precisar para exercer sua cidadania. Alguns dirão que é pouco. Não, é muito dentro do princípio inglês do Menos é Mais.  Mas não o bastante para nossa sociedade e comunidade escolar, porque o paradigma é a erudição. E essa erudição, todos sabemos, vem do alto da pirâmide letrada: a universidade. A universidade, o "ideal de todos". Evidente que a universidade representa  uma perspectiva profissional. No entanto, é triste ver  que quando se pergunta a um jovem sobre seus planos futuros, ele diga de uma maneira vaga "vou fazer uma faculdade" em vez de dizer quero ser médico, engenheiro ou professor. O que está colocado é o reconhecimento que ele deseja alcançar com uma "faculdade"- fora disso ele é "mané"-  e não que tipo de habilidade é seu desejo real exercer. Enfim, continuaremos com essa conversa.&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:11979</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/11979.html"/>
    <issued>2010-05-01T20:18:46</issued>
    <title>Não contem com o fim do livro</title>
    <published>2010-05-01T19:24:17Z</published>
    <updated>2010-05-01T19:44:41Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt; Eletrônicos duram 10 anos; livros, 5 séculos’, diz Umberto Eco&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Ensaísta e escritor italiano fala em entrevista exclusiva de seu novo trabalho, em parceria com o roteirista francês Jean-Claude Carrière,`Não Contem com o Fim do Livro’. Alguns trechos:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;‘&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;Leiam a entrevista a Ubiratan Brasil Estadão Especial Caderno 2&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;O livro não está condenado, como apregoam os adoradores das novas tecnologias?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;O desaparecimento do livro é uma obsessão de jornalistas, que me perguntam isso há 15 anos. Mesmo eu tendo escrito um artigo sobre o tema, continua o questionamento. O livro, para mim, é como uma colher, um machado, uma tesoura, esse tipo de objeto que, uma vez inventado, não muda jamais. Continua o mesmo e é difícil de ser substituído. O livro ainda é o meio mais fácil de transportar informação. Os eletrônicos chegaram, mas percebemos que sua vida útil não passa de dez anos. Afinal, ciência significa fazer novas experiências. Assim, quem poderia afirmar, anos atrás, que não teríamos hoje computadores capazes de ler os antigos disquetes? E que, ao contrário, temos livros que sobrevivem há mais de cinco séculos? Conversei recentemente com o diretor da Biblioteca Nacional de Paris, que me disse ter escaneado praticamente todo o seu acervo, mas manteve o original em papel, como medida de segurança.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Qual a diferença entre o conteúdo disponível na internet e o de uma enorme biblioteca?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;A diferença básica é que uma biblioteca é como a memória humana, cuja função não é apenas a de conservar, mas também a de filtrar – muito embora Jorge Luis Borges, em seu livro Ficções, tenha criado um personagem, Funes, cuja capacidade de memória era infinita. Já a internet é como esse personagem do escritor argentino, incapaz de selecionar o que interessa – é possível encontrar lá tanto a Bíblia como Mein Kampf, de Hitler. Esse é o problema básico da internet: depende da capacidade de quem a consulta. Sou capaz de distinguir os sites confiáveis de filosofia, mas não os de física. Imagine então um estudante fazendo uma pesquisa sobre a 2.ª Guerra Mundial: será ele capaz de escolher o site correto? É trágico, um problema para o futuro, pois não existe ainda uma ciência para resolver isso. Depende apenas da vivência pessoal. Esse será o problema crucial da educação nos próximos anos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Não é possível prever o futuro da internet?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Não para mim. Quando comecei a usá-la, nos anos 1980, eu era obrigado a colocar disquetes, rodar programas. Hoje, basta apertar um botão. Eu não imaginava isso naquela época. Talvez, no futuro, o homem não precise escrever no computador, apenas falar e seu comando de voz será reconhecido. Ou seja, trocará o teclado pela voz. Mas realmente não sei.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Como a crescente velocidade de processar dados de um computador poderá influenciar a forma como absorvemos informação?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;O cérebro humano é adaptável às necessidades. Eu me sinto bem em um carro em alta velocidade, mas meu avô ficava apavorado. Já meu neto consegue informações com mais facilidade no computador do que eu. Não podemos prever até que ponto nosso cérebro terá capacidade para entender e absorver novas informações. Até porque uma evolução física também é necessária. Atualmente, poucos conseguem viajar longas distâncias – de Paris a Nova York, por exemplo – sem sentir o desconforto do jet lag. Mas quem sabe meu neto não poderá fazer esse trajeto no futuro em meia hora e se sentir bem?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;É possível existir contracultura na internet?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Sim, com certeza, e ela pode se manifestar tanto de forma revolucionária como conservadora. Veja o que acontece na China, onde a internet é um meio pelo qual é possível se manifestar e reagir contra a censura política. Enquanto aqui as pessoas gastam horas batendo papo, na China é a única forma de se manter contato com o restante do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Em um determinado trecho de ‘Não Contem Com o Fim do Livro’, o senhor e Jean-Claude Carrière discutem a função e preservação da memória – que, como se fosse um músculo, precisa ser exercitada para não atrofiar.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;De fato, é importantíssimo esse tipo de exercício, pois estamos perdendo a memória histórica. Minha geração sabia tudo sobre o passado. Eu posso detalhar sobre o que se passava na Itália 20 anos antes do meu nascimento. Se você perguntar hoje para um aluno, ele certamente não saberá nada sobre como era o país duas décadas antes de seu nascimento, pois basta dar um clique no computador para obter essa informação. Lembro que, na escola, eu era obrigado a decorar dez versos por dia. Naquele tempo, eu achava uma inutilidade, mas hoje reconheço sua importância. A cultura alfabética cedeu espaço para as fontes visuais, para os computadores que exigem leitura em alta velocidade. Assim, ao mesmo tempo que aprimora uma habilidade, a evolução põe em risco outra, como a memória. Lembro-me de uma maravilhosa história de ficção científica escrita por Isaac Asimov, nos anos 1950. É sobre uma civilização do futuro em que as máquinas fazem tudo, inclusive as mais simples contas de multiplicar. De repente, o mundo entra em guerra, acontece um tremendo blecaute e nenhuma máquina funciona mais. Instala-se o caos até que se descobre um homem do Tennessee que ainda sabe fazer contas de cabeça. Mas, em vez de representar uma salvação, ele se torna uma arma poderosa e é disputado por todos os governos – até ser capturado pelo Pentágono por causa do perigo que representa (risos). Não é maravilhoso?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;No livro, o senhor e Carrière comentam sobre como a falta de leitura de alguns líderes influenciou suas errôneas decisões.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Sim, escrevi muito sobre informação cultural, algo que vem marcando a atual cultura americana que parece questionar a validade de se conhecer o passado. Veja um exemplo: se você ler a história sobre as guerras da Rússia contra o Afeganistão no século 19, vai descobrir que já era difícil combater uma civilização que conhece todos os segredos de se esconder nas montanhas. Bem, o presidente George Bush, o pai, provavelmente não leu nenhuma obra dessa natureza antes de iniciar a guerra nos anos 1990. Da mesma forma que Hitler devia desconhecer os relatos de Napoleão sobre a impossibilidade de se viajar para Moscou por terra, vindo da Europa Ocidental, antes da chegada do inverno. Por outro lado, o também presidente americano Roosevelt, durante a 2.ª Guerra, encomendou um detalhado estudo sobre o comportamento dos japoneses para Ruth Benedict, que escreveu um brilhante livro de antropologia cultural, O Crisântemo e a Espada. De uma certa forma, esse livro ajudou os americanos a evitar erros imperdoáveis de conduta com os japoneses, antes e depois da guerra. Conhecer o passado é importante para traçar o futuro.(...)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Falando agora sobre sua biblioteca, é verdade que ela conta com 50 mil volumes?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Sim, de uma forma geral. Nesse apartamento em Milão, estão apenas 30 mil – o restante está no interior da Itália, onde tenho outra casa. Mas sempre me desfaço de algumas centenas, pois, como disse antes, é preciso fazer uma filtragem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Por que o senhor impediu sua secretária de catalogá-los?&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;Porque a forma como você organiza seus livros depende da sua necessidade atual. Tenho um amigo que mantém os seus em ordem alfabética de autores, o que é absolutamente estúpido, pois a obra de um historiador francês vai estar em uma estante e a de outro em um lugar diferente. Eu tenho aqui literatura contemporânea separada por ordem alfabética de países. Já a não contemporânea está dividida por séculos e pelo tipo de arte. Mas, às vezes, um determinado livro pode tanto ser considerado por mim como filosófico ou de estética da arte; depende do motivo da minha pesquisa. Assim, reorganizo minha biblioteca segundo meus critérios e somente eu, e não uma secretária, pode fazer isso. Claro que, com um acervo desse tamanho, não é fácil saber onde está cada livro. Meu método facilita, eu tenho boa memória, mas, se algum idiota da família retira alguma obra de um lugar e a coloca em outro, esse livro está perdido para sempre. É melhor comprar outro exemplar (risos).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt;LEIA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA EM:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: #000000;"&gt; &lt;a href="http://digitalmanuscripts.wordpress.com/2010/03/13/nao-contem-com-o-fim-do-livro/"&gt;http://digitalmanuscripts.wordpress.com/2&lt;wbr /&gt;010/03/13/nao-contem-com-o-fim-do-livro/&lt;wbr /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:11642</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/11642.html"/>
    <issued>2010-04-24T19:29:11</issued>
    <title>Bibliotecários famosos: Georges Bataille</title>
    <published>2010-04-24T19:02:39Z</published>
    <updated>2010-04-24T19:05:44Z</updated>
    <category term="bibliotecários famosos"/>
    <content type="html">&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left;"&gt;A nossa queridíssima Wikipedia no verbete Bibliotecários Famosos (&lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_bibliotec%C3%A1rios"&gt;http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_bi&lt;wbr /&gt;bliotec%C3%A1rios) &lt;/a&gt; omitiu o  biblioteccário e pensador Georges Bataille que, se não tinha formação específica (nem existia) exerceu por décadas a função e, desculpem falar de mim um pouco, ele, como eu (que não sou famosa),  generalista que era (criou o &lt;em&gt;Collége de Sociologie&lt;/em&gt;), se dedicava a escrever sobre os mais variados temas, todos que envolvessem Humanidades.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left;"&gt;Por esse motivo Bataille é meu ídolo, é em quem me espelho; como ele, nunca me senti confortável em qualquer especialização. Não satisfeita com Biblioteconomia - que, cá entre nós, &lt;em&gt;é&lt;/em&gt; uma especialização - parti para Ciências Sociais em 1972, e, bem mais tarde, em 2001, para Produção Cultural. E sobre elas vivo escrevendo, de um modo ou de outro.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: right;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left;"&gt;Mas estou aqui para falar de Georges Bataille:&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left;"&gt;Nasceu em 1897, em Billom (França). A infância foi passada em Reims, cidade onde permaneceu até 1914. Com o início da I Guerra Mundial, abandona Reims com a mãe e parte para Riom-ès-Montagnes, deixando o pai, doente, para trás (situação que o marcou profundamente e pela qual se sentia responsável). É por esta altura que se converte ao catolicismo, ingressando no Seminário de Saint-Flour em 1917. Em 1918 publica o seu primeiro escrito: &lt;em&gt;Notre-Dame de Rheims&lt;/em&gt;, em memória da notável catedral, destruída pelos bombardeamentos. No mesmo ano concorre (e é admitido) à École des Chartes. Assim, abandona o seminário e instala-se em Paris. Em 1922 parte para Madrid, para a Escola de Altos Estudos Hispânicos (actual Casa Velásquez). Lá, apaixona-se pelas ‘corridas’ e toda a simbologia sexual em que estão envoltas. Em 1922, obtem o diploma e em 1924 inicia a sua longa carreira de bibliotecário na Biblioteca Nacional, onde trabalha durante 20 anos. Em 1937, cria o Collège de Sociologie juntamente com Roger Caillois e Michel Leiris, destinado a estudar as manifestações do sagrado na existência social.&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left;"&gt;É autor de uma vasta e diversificada obra (abrangendo formas e temas tão opostos como a poesia, a narrativa, o místico, a economia, a arte ou o erotismo), publicada em parte sob pseudónimos (Lord Auch, Pierre angélique ou Louis XXX). Possuía um grande talento interdisciplinar e uma capacidade invulgar para utilizar discursos distintos. Algumas das suas obras, consideradas “literatura de trangressão” (e, portanto, escritas sob pseudónimo, como é o caso de &lt;em&gt;O Ânus Solar&lt;/em&gt;), foram mal aceites pela crítica. No entanto, uma análise mais cirúrgica a esses livros permite desvelar a sua profundeza filosófica e emotiva. Nos livros que escrevia procurava fornecer perspectivas paradoxais, encerrando pontos de vista divergentes e escondendo significados mais profundos por detrás do significado primeiro e aparente. A filosofia de Bataille, embora pouco conhecida durante a sua vida, foi uma influência para autores posteriores, como Foucault, Sollers e Derrida. Fundou numerosas revistas (como a &lt;em&gt;Critique&lt;/em&gt;, de 1946, da qual era director do comité de redacção) e grupos de escritores.&lt;br /&gt;Morreu em 1962, em Paris.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;                                        &lt;wbr /&gt;     Fonte:Assírio &amp;amp; Alvim  &lt;a href="http://www.assirio.com/autor.php?id=7944&amp;amp;i=G"&gt;http://www.assirio.com/autor.php?id=7944&amp;amp;i=G&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:11395</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/11395.html"/>
    <issued>2010-04-12T00:25:36</issued>
    <title>Leia menos reflita mais                                 </title>
    <published>2010-04-11T23:54:16Z</published>
    <updated>2010-04-11T23:58:15Z</updated>
    <category term="ansiedade da informação"/>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: left;"&gt;Artigo de Jerônimo Lima*&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left;"&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left;"&gt;Vivemos numa sociedade poluída pela oferta de informações a ponto de gerar um síndrome ansiosa caracterizada pela tendência de ler tudo sobre tudo. Neste artigo, o diretor-coordenador do Núcleo Rio Grande do Sul do IBCO, Jerônimo Lima, mostra como contornar o problema com praticidade e consistência. “Vivemos numa sociedade saturada e poluída de informações, na qual o poder está nas mãos de quem as detém. Associado a isto, há um aumento dramático da doença da moda, a síndrome da ansiedade de informação, caracterizada por uma tendência a se ler tudo sobre tudo. É fácil entender a síndrome: quando a quantidade de leitura consumida é superior à quantidade de energia disponível para sua digestão, o excesso se acumula convertido em stress e overdose de estímulo até o estado doentio. As formas mais comuns de manifestação da doença são a frustração gerada pelo volume, a decepção com a qualidade dos conteúdos, a sensação de saber pouco e tarde demais. Fique atento aos sinais da doença: demora a se “desligar” das atividades, mesmo quando está fora delas; queda da produção no trabalho e/ou nos estudos; distúrbios de sono; agitação, irritabilidade, fadiga, dores musculares e lapsos de memória. Faça um teste para ver se a contraiu em &lt;a title="testes" href="http://www.crcinfo.com.br/testes.asp" target="_blank"&gt;http://www.crcinfo.com.br/testes.asp&lt;/a&gt;. Após assistir o dr. Ryon Braga  &lt;a href="http://www.aprendervirtual.com"&gt;www.aprendervirtual.com&lt;/a&gt;  falar sobre o tema, refleti se devia me vangloriar ou me criticar por ter lido pelo menos um livro por semana, por mais de 20 anos. Concluí que todos nós, generalistas itinerantes, intelectuais curiosos, maníacos por leitura e estudantes de mestrado e doutorado, não precisamos digerir essa avalanche literária que nos é imposta. Passei a escolher mais criteriosamente o que ler pela relevância do conteúdo para minha vida e trabalho, praticidade e consistência. Menos leitura com mais qualidade é melhor para adquirir conhecimento. Para entender melhor isto, leia “Ansiedade da Informação”, de Richard Saul Wurman, e o artigo de Rubem Alves “O prazer de ler: sobre leitura e burrice”, em “Entre a Ciência e a Sapiência: O Dilema da Educação”. Para não ficar doente, faça um plano de leitura com grupos de assuntos específicos. Uma vez adaptado e no seu controle, modifique-o para incluir ou excluir alguma fonte, quando necessário. Caso realmente precise encontrar um livro esgotado, procure em &lt;a title="Livros difíceis" href="www.livrosdificeis.com.br" target="_blank"&gt;www.livrosdificeis.com.br&lt;/a&gt;. Em seu Plano de Leitura, coloque jornais (...). Leia um por dia, antes do trabalho.  Escolha um jornal de ampla cobertura, com cadernos sobre temas variados. Melhor: assine o serviço Informa Brasil ( &lt;a title="Informa Brasil" href="www.informabrasil.com.br" target="_blank"&gt;www.informabrasil.com.br&lt;/a&gt;), pelo qual é possível ler as notícias em mais de 400 jornais e revistas em um único informativo totalmente personalizável. Inclua revistas de cultura geral. Sugiro a Bravo! ( &lt;a title="Bravo" href="http://bravonline.abril.com.br" target="_blank"&gt;http://bravonline.abril.com.br&lt;/a&gt; ) e a Scientific American Brasil (...) (...)Os livros: como preparação para a leitura, adquira um ótimo dicionário, como o Houaiss ( www.dicionariohouaiss.com.br ), em cd-rom. Leia um livro por bimestre, alternando um de sua área de atuação com outro que não seja, dando preferência aos clássicos e aos mais indicados pelas livrarias Cultura ( &lt;a title="Livraria Cultura" href="www.livcultura.com.br" target="_blank"&gt;www.livcultura.com.br&lt;/a&gt;) e Amazon ( &lt;a title="Amazon Books" href="www.amazon.com" target="_blank"&gt;www.amazon.com&lt;/a&gt;).&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: left;"&gt;Agora, o mais importante: seu plano de leitura tem de ter alguma ação específica para transformar conhecimento em capital intelectual. Isto vai acontecer se você fizer uma profunda reflexão do que ler. Reflexão significa “concentração do espírito sobre si próprio”. Isto é, pela reflexão, suas idéias e sentimentos consideram as observações que resultam de intensa cogitação, traduzindo-se assim numa virtude que evita a precipitação de juízos, a imprudência e a impulsividade na conduta, fazendo de quem reflete uma pessoa menos paradigmática e mais aberta. E ande sempre com um bloco de anotações e uma caneta ou use seu celular/PDA para registrar os insights provenientes de suas leituras e reflexões. Assim vai conseguir criar projetos de melhoria para sua vida e trabalho”.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; *&lt;strong&gt;” Leia Menos, Reflita Mais” foi escrito por Jerônimo Lima, Diretor do Núcleo Rio Grande do Sul do IBCO diante de sua experiência em consultoria.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:11087</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/11087.html"/>
    <issued>2010-03-10T21:09:07</issued>
    <title>“VIVER A VIDA” OU OS NOVOS CARLISTAS </title>
    <published>2010-03-10T21:11:58Z</published>
    <updated>2010-03-10T21:11:58Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;                                        &lt;wbr /&gt;                                        &lt;wbr /&gt; &lt;/p&gt;
&lt;div style="text-justify: inter-ideograph"&gt;&amp;ldquo;Rei morto, rei posto&amp;rdquo;, diz o adágio. Com a passagem de um outro Carlos, o senador, sucede-lhe o Manoel, a julgar pela popularidade de &lt;i&gt;Viver a Vida&lt;/i&gt;, novela daquelas dos tempos em que tudo que se fazia, era &amp;ldquo;antes e depois da novela&amp;rdquo;, e para lembrar o velho Aristóteles, provocando uma verdadeira &lt;i&gt;catharsis &lt;/i&gt; nacional. Fato é que Manoel Carlos, assim como outrora o senador baiano, cada um em sua seara, conseguiu impor sua grife &amp;ndash;quem sabe, por exemplo, quem dirige &amp;ldquo;Viver a vida&amp;rdquo;? A TV, e especificamente a novela, colocou o roteirista em seu justo lugar, coisa que o cinema não fez até hoje. .Enfim, Manoel Carlos formou um séqüito de seguidores fiéis que provavelmente nenhum autor tenha conseguido. A esses seguidores, chamo de &amp;lsquo;novos carlistas&amp;rsquo;. O autor repete a fórmula que todo mundo conhece, sabe-se no que vai dar, mas ninguém levanta o traseiro do sofá, não atende o telefone, não está predisposto a se abrir para o inesperado, para o diferente e o novo, embora se acrescente o ingrediente do merchandising social. Se a linha da história nada tem de inovadora, o que me desafia é entender a essência desse &amp;ldquo;carlismo&amp;rdquo;. A hipótese é que esse público que acompanha essa e outras novelas do autor, na verdade procura aninhar-se justamente na segurança que ela oferece em se repetir. Um segredo do passado a se revelar, situações previsíveis, uma certa dose de sadismo do autor, como esticar a &lt;i&gt;via crucis&lt;/i&gt; de um personagem,  e a obsessão de um ou de outro. Na verdade, a história evolui menos do que as situações repetidas &amp;ndash; regra: novela se faz de repetição &amp;ndash; a alcoólatra tem &lt;i&gt;várias&lt;/i&gt; recaídas, como se o subtexto fosse &amp;ldquo;a vida é assim mesmo&amp;rdquo;, nessa mesmice, conformem-se em seus sofás, passa o subtexto: amanhã quando vocês chegarem em casa, não se preocupem, vão ver a &lt;i&gt;mesma&lt;/i&gt; coisa, ficar com a sensação de &lt;i&gt;fazer-o-quê?&lt;/i&gt; - o espectador sensível se irrita às vezes, mas é assim mesmo, como a vida, tem pessoas hipócritas, fracas, violência, o trânsito é ruim, a fila do banco e da Previdência grandes - e graças à paciência com as novelas, tenho paciência com as filas,- o dinheiro curto, o chefe chato etc e assim a gente &amp;ldquo;vive a vida&amp;rdquo;. O manoelcarlismo é o protótipo deste modelo da falta de surpresas &amp;ndash; a surpresa é pífia e simplória, quem-vai-acabar-com-quem e os maus- serão-punidos e os bons-recompensados - e aí é que mora o conforto. O público, não quer surpresas, nada que o estresse mais &amp;ndash; uma novela estressante seria fatal, ele não agüentaria. Não quer chegar do trabalho e levar uma bordoada na cara. Não quer que lhe joguem na cara o que não quer ver e ouvir. Ao contrário da identificação, ele quer se sentir sadio, perto dessas mazelas todas &amp;ndash; ele &lt;i&gt;não é&lt;/i&gt; aquela neurótica ou neurótico ali da telinha, &amp;ldquo;graças a Deus&amp;rdquo;. O inferno são os outros. O efeito é intencionalmente escapista. As coisas retratadas acontecem realmente na vida, porém não &lt;i&gt;da forma&lt;/i&gt; como é retratada, o que lhe dá disfarce de realidade. Há pouquíssimos momentos de humor, o pouco humor aparece na superficialidade das mulheres &amp;ldquo;resolvidas&amp;rdquo; e por sinal, ricas. Ricas e sentenciosas. No mais, as mulheres ou são &amp;ldquo;madalenas arrependidas&amp;rdquo;, ou melhor, Helenas, tipo século XIX. Ou estúpidas. São estúpidas porque apaixonadas ou apaixonadas porque estúpidas? A Helena, como as demais helenas, é morna. No final tudo é morno, tentando um naturalismo compatível com o horário, porém muito, mas &lt;i&gt;muito&lt;/i&gt; menos eletrizante do que a vida do Rio de Janeiro. È mais seguro não sair para ir ao cinema ou ao teatro. E finalmente, a tônica de que toda questão existencial humana é apenas de ordem sentimental. Novelas não consultam o IBGE, mas o público de novelas. O ser humano, particularmente o feminino, nas novelas,é movido por um único objetivo: o parceiro ideal. Como se hoje quase a metade das mulheres no país não fossem solitárias  chefes de família que seguram todas as barras sozinhas, umas felizes, outras não. Por outro lado, a solidão é condenada como falha grave de caráter, aleijão ou perversão, quando sabemos que é cada vez maior no mundo o número de pessoas sozinhas por opção. Esse personagem solitário e resolvido é absolutamente proibido nas novelas.Casamento é o mote conservador. Não exclusivo da cartilha carlista, é verdade. Quem morreu é porque estava sobrando; número ímpar não pode. Mas o carlismo, como o do senador baiano, é extremamente conservador e se o é, façamos justiça, é porque &lt;i&gt;assim o quer&lt;/i&gt; o público, a quem Manoel Carlos finge que contraria. Ele demagogicamente faz o que o outro, o Antônio, fez com seu eleitorado, alimentando e realimentando o auto-engano das pessoas. Que pessoas são essas, daria um belo estudo. Roteirista de novela transpira muito e cria pouco. Basta apenas começar com uma linhazinha de história banal; o resto o público é quem dá as cartas. Para todo o sempre, e com intervalos, amém.&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-justify: inter-ideograph"&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-justify: inter-ideograph"&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-justify: inter-ideograph"&gt;S&lt;i&gt;heila G. Soares &lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-justify: inter-ideograph"&gt;&lt;i&gt;sheilagsoares@gmail.com&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;
&lt;div style="text-justify: inter-ideograph"&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-justify: inter-ideograph"&gt; &lt;/div&gt;
&lt;div style="text-justify: inter-ideograph"&gt;                                        &lt;wbr /&gt;      &lt;/div&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:10906</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/10906.html"/>
    <issued>2010-02-24T21:15:20</issued>
    <title>Ler, escrever, calcular  </title>
    <published>2010-02-24T21:24:50Z</published>
    <updated>2010-02-24T21:26:32Z</updated>
    <content type="html">&lt;p class="titulo"&gt;&lt;b&gt;Cesar Benjamim,  Folha de São Paulo, 06/02/010&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;hr size="2" noshade="noshade" /&gt;
&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;NÃO DEVEM passar despercebidos dois artigos publicados nesta Folha nos últimos dias. Em &amp;quot;Repetência e alfabetização&amp;quot;, de 27 de janeiro, João Batista Araújo e Oliveira apresentou resultados de um teste aplicado em 338 mil alunos do segundo ao quinto ano em 350 municípios brasileiros espalhados por 25 Estados, uma amostra muito representativa. Nada menos de 70% dos avaliados foram considerados analfabetos, e 50% dos estudantes do quinto ano foram classificados assim.&lt;br /&gt;
No dia 4, a &lt;b&gt;Folha&lt;/b&gt; noticiou o desempenho de alunos da rede municipal de São Paulo em matemática. Não me estenderei. Ocimar Alavarse, da USP, avaliou o resultado como &amp;quot;escandaloso&amp;quot;. Um teste semelhante, em escala nacional, mostraria resultado igual ou pior. Tais avaliações mostram que o Brasil ainda recusa à maioria dos seus filhos a possibilidade de participar das potencialidades da civilização contemporânea. Estamos diante de um problema grave, antigo, estrutural, que envolve todos os níveis de governo e a sociedade. Mas não conseguimos reagir.&lt;br /&gt;
Há íntima relação entre a capacidade formal de expressão e os conteúdos que se deseja expressar. Em um dos Seminários de Zollikon, Heidegger pergunta: &amp;quot;Por que os animais não falam?&amp;quot;. Ele mesmo responde, de maneira simples e muito perspicaz: &amp;quot;Porque não têm o que dizer&amp;quot;. Quando depois se refere ao homem como &amp;quot;o animal falante&amp;quot;, talvez possamos ler &amp;quot;o animal que tem o que dizer&amp;quot;.&lt;br /&gt;
Os homens sempre tiveram muito a dizer. Todas as sociedades, das mais primitivas às mais avançadas, separadas por dezenas de milhares de anos, criaram línguas que apresentam grau semelhante de complexidade, a ponto de até hoje não ter sido possível construir uma teoria evolutiva da linguagem, esse grande enigma humano.&lt;br /&gt;
Pois é de uma linguagem criativa que se trata, o que nos diferencia. Adquirimos na infância a misteriosa capacidade de construir e entender um número indefinido de sentenças que jamais ouvimos e que talvez jamais tenham sido enunciadas, enquanto os sistemas de comunicação usados por outras espécies só permitem a transmissão de um pequeno conjunto de mensagens cujo significado é fixo.&lt;br /&gt;
Assim, além das funções de expressão pessoal e de comunicação imediata, que compartilhamos com os animais, nossa linguagem possui funções superiores que lhe são específicas, como descrição, conceitualização e argumentação.&lt;br /&gt;
Graças a elas, podemos desenvolver, por exemplo, padrões de crítica, a ideia de verdade, o conceito de razão. Popper é enfático: &amp;quot;É ao desenvolvimento das funções superiores da linguagem que devemos a nossa humanidade, a nossa razão, pois nossos poderes de raciocínio nada mais são do que poderes de argumentação crítica&amp;quot;.&lt;br /&gt;
A capacidade de abstração, a formulação de explicações, a compreensão de objetos complexos -tudo isso exige o cultivo das funções superiores da linguagem, que, no mundo contemporâneo, implica o domínio pleno da leitura e da escrita, além de fundamentos de lógica que nos são transmitidos, principalmente, pela matemática. &lt;br /&gt;
Nenhuma sociedade poderá se manter à tona, no século 21, sem disseminar essas capacidades em suas populações. Isso exige que as crianças aprendam a ler, escrever e calcular, com proficiência, na idade adequada. É a base do que vem depois. Se isso não for obtido no tempo certo, toda a estrutura educacional do país permanecerá comprometida. Eis um grande tema para a campanha presidencial, se ela quiser ser mais que uma pantomima.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;span&gt;&lt;b&gt;CESAR BENJAMIN&lt;/b&gt;, 55, editor da Editora Contraponto e doutor honoris causa da Universidade Bicentenária de Aragua (Venezuela)&lt;/span&gt;&lt;span id="1267046563300S" style="display: none"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:10746</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/10746.html"/>
    <issued>2010-01-17T20:02:55</issued>
    <title>A EDUCAÇÃO PÓS-TWITTER</title>
    <published>2010-01-17T20:04:35Z</published>
    <updated>2010-01-17T20:11:05Z</updated>
    <content type="html">&lt;p&gt;
&lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0"&gt;
    &lt;tbody&gt;
        &lt;tr&gt;
            &lt;td id="tituloNoticia"&gt;
            &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0"&gt;
                &lt;tbody&gt;
                    &lt;tr&gt;
                        &lt;td id="titulo"&gt;Artigo&lt;/td&gt;
                        &lt;td class="nao_imprime" width="250"&gt; &lt;/td&gt;
                    &lt;/tr&gt;
                &lt;/tbody&gt;
            &lt;/table&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr&gt;
            &lt;td id="infoNoticia"&gt;&lt;img alt="" src="http://www.linearclipping.com.br/imagens/item.jpg" /&gt;Data: 16/01/2010&lt;br /&gt;
            &lt;img alt="" src="http://www.linearclipping.com.br/imagens/item.jpg" /&gt;Veículo: O GLOBO&lt;br /&gt;
            &lt;img alt="" src="http://www.linearclipping.com.br/imagens/item.jpg" /&gt;Editoria: OPINIÃO &lt;br /&gt;
            &lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%" border="0"&gt;
                &lt;tbody&gt;
                    &lt;tr&gt;
                        &lt;td valign="top" width="110"&gt;&lt;img alt="" src="http://www.linearclipping.com.br/imagens/item.jpg" /&gt;Assunto&lt;/td&gt;
                        &lt;td&gt;Educação&lt;br /&gt;
                         &lt;/td&gt;
                    &lt;/tr&gt;
                &lt;/tbody&gt;
            &lt;/table&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
        &lt;tr&gt;
            &lt;td id="textoNoticia"&gt;
            &lt;div id="dvChamadaCapa" style="display: none"&gt; &lt;/div&gt;
            &lt;p&gt;DILVO RISTOFF&lt;/p&gt;
            &lt;p&gt; &lt;/p&gt;
            &lt;p&gt; &lt;/p&gt;
            &lt;p&gt;&amp;quot;O Twitter é uma rudimentar rede de conexão social&amp;quot;, disse Biz Stone, em novembro último, em Doha. Há, segundo ele, muito a fazer para tirar proveito dos 4,4 bilhões de telefones celulares e de 1 bilhão de contas de internet espalhados pelo planeta.&lt;/p&gt;
            &lt;p&gt; &lt;/p&gt;
            &lt;p&gt;O criador do Twitter esteve com Sugata Mitra, o autor de &amp;quot;A hole in the wall&amp;quot; - que instalou computadores nas ruas de cidades para onde bons professores não querem ir. Queria ver o que aconteceria com as crianças! Para a sua surpresa, em três meses, sozinhas, elas aprenderam a usar o computador e, como todos nós, a exigir um processador mais veloz. Sem qualquer ajuda, as crianças aprenderam 30% dos conteúdos de genética disponibilizados e, com o auxílio de um tutor, superaram os estudantes das melhores escolas da Índia.&lt;/p&gt;
            &lt;p&gt; &lt;/p&gt;
            &lt;p&gt;Mitra argumenta que hoje importa menos quem você conhece e mais se você está ou não linkado. Estamos em uma nova era: o usuário linkado questiona, e não raro com razão, as recomendações do médico, a originalidade do artista, o conhecimento do professor.&lt;/p&gt;
            &lt;p&gt; &lt;/p&gt;
            &lt;p&gt;O acesso fácil à informação gerou a era do espanto, da instabilidade de doutores, mestres e pseudoespecialistas! Não sabe? Não pergunte ao professor! Pergunte à inteligência democrática: pergunte ao google! Para que esta inteligência democrática possa ganhar escala e servir à humanidade, a Escola precisa tornar a inclusão digital a sua palavra de ordem. Para isso, terá que conviver com a aprendizagem auto-organizada e lidar com tecnologias que tolerem múltiplas trajetórias pedagógicas.&lt;/p&gt;
            &lt;p&gt; &lt;/p&gt;
            &lt;p&gt;Ou seja, a educação terá que ter compromisso inarredável com a inovação! O que Biz Stone e Mitra propõem é um futuro que não mais replicará o presente e que trará à tona milhões de talentos que serão colocados a serviço da vida, com novas oportunidades para todos! Estará o Brasil em condições de preparar os jovens para as demandas de adaptabilidade que se apresentam? A julgar pela resistência que as novas tecnologias encontram em nossas universidades, temo que continuaremos a educar para o passado, imaginando que ele funcionará no futuro. Não funcionará! A menos que aceitemos que se frustrem as nossas esperanças de construir um país avançado nas artes e nas ciências, é urgente que professores sejam expostos a um agressivo choque de novas tecnologias, antes que caiam em descrédito pela sua incapacidade de educar para os novos tempos. Mais do que nunca, dependemos de políticas comprometidas com a interconectividade e com o futuro.&lt;/p&gt;
            &lt;p&gt; &lt;/p&gt;
            &lt;p&gt; &lt;/p&gt;
            &lt;p&gt;&lt;b&gt;DILVO RISTOFF é reitor da Universidade Federal da Fronteira Sul.&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;
            &lt;/td&gt;
        &lt;/tr&gt;
    &lt;/tbody&gt;
&lt;/table&gt;
&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
  <entry>
    <id>urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:leiturasereleituras:10272</id>
    <link rel="alternate" type="text/html" href="http://leiturasereleituras.blogs.sapo.pt/10272.html"/>
    <issued>2009-11-22T16:29:59</issued>
    <title>LIVRARIAS E BIBLIOTECAS</title>
    <published>2009-11-22T17:08:40Z</published>
    <updated>2009-11-22T17:18:08Z</updated>
    <content type="html">&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;span style="font-size: small"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana"&gt;Quando visito as livrarias sinto uma espécie de inveja. Elas teem um layout tão acolhedor e aconchegante, um apelo de &amp;quot;fique-aqui...&amp;quot; e a gente vai ficando. Por que bibliotecas públicas não podem ser assim? &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;span style="font-size: small"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana"&gt;Acontece que nas livrarias, as estantes são setorizadas em grandes assuntos; nas bibliotecas são por hierarquia dos códigos de classificação, chamados &amp;quot;topográficos&amp;quot;, e as obras são dispostas de modo hierárquico de assunto e não por grupo de assuntos afins. O argumento é que &amp;quot;facilita&amp;quot; a localização. Discordo. Nas livrarias não há um livro sequer  que o atendente não localize, independentemente de os assuntos não estarem hierarquizados. Porque se ele não localizar, é prejuízo para o negócio. Nas bibliotecas a hierarquização é prejuízo para o encanto e mesmo facilidade do usuário. Na verdade esses códigos são irrelevantes para ele. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;span style="font-size: small"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana"&gt;Evidente que as bibliotecas ainda levam ainda vantagem sobre as livrarias no que se refere a recuperar as informações de cada ítem, mas o que impede as livrarias um dia chegarem lá? Por enquanto, não há catálogo nas livrarias, há registro de estoque , mas elas poderão avançar e adquirirem softwares em que também contemplem a particularização de assuntos. E mantenham a feliz setorização. Há diversas partes em uma biblioteca que precisam ser setorizadas: infanto-juvenil, referência, literatura universal , literatura brasileira, clássicos estrangeiros, clássicos da Literatura Brasileira, livros de estudo e ensino (didáticos e pedagogia numa mesma seção), poesia e auto-ajuda, 8 seções só para começar. Isso em uma livraria é tranquilo. Em uma biblioteca põe por terra preceitos tradicionais de organização, e que veem se arrastando há séculos. Preceitos que os profissionais temem mexer em nome de uma internacionalização e uma padronização que as comissões técnicas mantém por defender os antigos ideais e muitos para defender seus cargos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p style="text-align: justify"&gt;&lt;span style="font-size: small"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana"&gt;Consultando minha &amp;quot;bola de cristal&amp;quot;,  antevejo que as bibliotecas cada vez mais deverão se aproximar das livrarias no quesito organização física. E com o aumento do poder aquisitivo do povo para comprar livros, as bibliotecas nos velhos moldes, poderão ser fadadas ao abandono ou entregues ao competente bibliotecário, que ao admirar sua organização. tão fiel aos padrões, em pouco tempo terá acrescentada às suas uma nova e penosa função: a de espantar moscas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</content>
  </entry>
</feed>

