A nossa queridíssima Wikipedia no verbete Bibliotecários Famosos (http://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_de_bi
Por esse motivo Bataille é meu ídolo, é em quem me espelho; como ele, nunca me senti confortável em qualquer especialização. Não satisfeita com Biblioteconomia - que, cá entre nós, é uma especialização - parti para Ciências Sociais em 1972, e, bem mais tarde, em 2001, para Produção Cultural. E sobre elas vivo escrevendo, de um modo ou de outro.
Mas estou aqui para falar de Georges Bataille:
Nasceu em 1897, em Billom (França). A infância foi passada em Reims, cidade onde permaneceu até 1914. Com o início da I Guerra Mundial, abandona Reims com a mãe e parte para Riom-ès-Montagnes, deixando o pai, doente, para trás (situação que o marcou profundamente e pela qual se sentia responsável). É por esta altura que se converte ao catolicismo, ingressando no Seminário de Saint-Flour em 1917. Em 1918 publica o seu primeiro escrito: Notre-Dame de Rheims, em memória da notável catedral, destruída pelos bombardeamentos. No mesmo ano concorre (e é admitido) à École des Chartes. Assim, abandona o seminário e instala-se em Paris. Em 1922 parte para Madrid, para a Escola de Altos Estudos Hispânicos (actual Casa Velásquez). Lá, apaixona-se pelas ‘corridas’ e toda a simbologia sexual em que estão envoltas. Em 1922, obtem o diploma e em 1924 inicia a sua longa carreira de bibliotecário na Biblioteca Nacional, onde trabalha durante 20 anos. Em 1937, cria o Collège de Sociologie juntamente com Roger Caillois e Michel Leiris, destinado a estudar as manifestações do sagrado na existência social.
É autor de uma vasta e diversificada obra (abrangendo formas e temas tão opostos como a poesia, a narrativa, o místico, a economia, a arte ou o erotismo), publicada em parte sob pseudónimos (Lord Auch, Pierre angélique ou Louis XXX). Possuía um grande talento interdisciplinar e uma capacidade invulgar para utilizar discursos distintos. Algumas das suas obras, consideradas “literatura de trangressão” (e, portanto, escritas sob pseudónimo, como é o caso de O Ânus Solar), foram mal aceites pela crítica. No entanto, uma análise mais cirúrgica a esses livros permite desvelar a sua profundeza filosófica e emotiva. Nos livros que escrevia procurava fornecer perspectivas paradoxais, encerrando pontos de vista divergentes e escondendo significados mais profundos por detrás do significado primeiro e aparente. A filosofia de Bataille, embora pouco conhecida durante a sua vida, foi uma influência para autores posteriores, como Foucault, Sollers e Derrida. Fundou numerosas revistas (como a Critique, de 1946, da qual era director do comité de redacção) e grupos de escritores.
Morreu em 1962, em Paris.
Artigo de Jerônimo Lima*
Vivemos numa sociedade poluída pela oferta de informações a ponto de gerar um síndrome ansiosa caracterizada pela tendência de ler tudo sobre tudo. Neste artigo, o diretor-coordenador do Núcleo Rio Grande do Sul do IBCO, Jerônimo Lima, mostra como contornar o problema com praticidade e consistência. “Vivemos numa sociedade saturada e poluída de informações, na qual o poder está nas mãos de quem as detém. Associado a isto, há um aumento dramático da doença da moda, a síndrome da ansiedade de informação, caracterizada por uma tendência a se ler tudo sobre tudo. É fácil entender a síndrome: quando a quantidade de leitura consumida é superior à quantidade de energia disponível para sua digestão, o excesso se acumula convertido em stress e overdose de estímulo até o estado doentio. As formas mais comuns de manifestação da doença são a frustração gerada pelo volume, a decepção com a qualidade dos conteúdos, a sensação de saber pouco e tarde demais. Fique atento aos sinais da doença: demora a se “desligar” das atividades, mesmo quando está fora delas; queda da produção no trabalho e/ou nos estudos; distúrbios de sono; agitação, irritabilidade, fadiga, dores musculares e lapsos de memória. Faça um teste para ver se a contraiu em http://www.crcinfo.com.br/testes.asp. Após assistir o dr. Ryon Braga www.aprendervirtual.com falar sobre o tema, refleti se devia me vangloriar ou me criticar por ter lido pelo menos um livro por semana, por mais de 20 anos. Concluí que todos nós, generalistas itinerantes, intelectuais curiosos, maníacos por leitura e estudantes de mestrado e doutorado, não precisamos digerir essa avalanche literária que nos é imposta. Passei a escolher mais criteriosamente o que ler pela relevância do conteúdo para minha vida e trabalho, praticidade e consistência. Menos leitura com mais qualidade é melhor para adquirir conhecimento. Para entender melhor isto, leia “Ansiedade da Informação”, de Richard Saul Wurman, e o artigo de Rubem Alves “O prazer de ler: sobre leitura e burrice”, em “Entre a Ciência e a Sapiência: O Dilema da Educação”. Para não ficar doente, faça um plano de leitura com grupos de assuntos específicos. Uma vez adaptado e no seu controle, modifique-o para incluir ou excluir alguma fonte, quando necessário. Caso realmente precise encontrar um livro esgotado, procure em www.livrosdificeis.com.br. Em seu Plano de Leitura, coloque jornais (...). Leia um por dia, antes do trabalho. Escolha um jornal de ampla cobertura, com cadernos sobre temas variados. Melhor: assine o serviço Informa Brasil ( www.informabrasil.com.br), pelo qual é possível ler as notícias em mais de 400 jornais e revistas em um único informativo totalmente personalizável. Inclua revistas de cultura geral. Sugiro a Bravo! ( http://bravonline.abril.com.br ) e a Scientific American Brasil (...) (...)Os livros: como preparação para a leitura, adquira um ótimo dicionário, como o Houaiss ( www.dicionariohouaiss.com.br ), em cd-rom. Leia um livro por bimestre, alternando um de sua área de atuação com outro que não seja, dando preferência aos clássicos e aos mais indicados pelas livrarias Cultura ( www.livcultura.com.br) e Amazon ( www.amazon.com).
Agora, o mais importante: seu plano de leitura tem de ter alguma ação específica para transformar conhecimento em capital intelectual. Isto vai acontecer se você fizer uma profunda reflexão do que ler. Reflexão significa “concentração do espírito sobre si próprio”. Isto é, pela reflexão, suas idéias e sentimentos consideram as observações que resultam de intensa cogitação, traduzindo-se assim numa virtude que evita a precipitação de juízos, a imprudência e a impulsividade na conduta, fazendo de quem reflete uma pessoa menos paradigmática e mais aberta. E ande sempre com um bloco de anotações e uma caneta ou use seu celular/PDA para registrar os insights provenientes de suas leituras e reflexões. Assim vai conseguir criar projetos de melhoria para sua vida e trabalho”.
*” Leia Menos, Reflita Mais” foi escrito por Jerônimo Lima, Diretor do Núcleo Rio Grande do Sul do IBCO diante de sua experiência em consultoria.
Autores
Blogs e sites de leitura
Biblioteconomia
Biblioteconomia e ciência da informação
Imprensa
Projetos
Sociedade da Informação