Quando visito as livrarias sinto uma espécie de inveja. Elas teem um layout tão acolhedor e aconchegante, um apelo de "fique-aqui..." e a gente vai ficando. Por que bibliotecas públicas não podem ser assim?
Acontece que nas livrarias, as estantes são setorizadas em grandes assuntos; nas bibliotecas são por hierarquia dos códigos de classificação, chamados "topográficos", e as obras são dispostas de modo hierárquico de assunto e não por grupo de assuntos afins. O argumento é que "facilita" a localização. Discordo. Nas livrarias não há um livro sequer que o atendente não localize, independentemente de os assuntos não estarem hierarquizados. Porque se ele não localizar, é prejuízo para o negócio. Nas bibliotecas a hierarquização é prejuízo para o encanto e mesmo facilidade do usuário. Na verdade esses códigos são irrelevantes para ele.
Evidente que as bibliotecas ainda levam ainda vantagem sobre as livrarias no que se refere a recuperar as informações de cada ítem, mas o que impede as livrarias um dia chegarem lá? Por enquanto, não há catálogo nas livrarias, há registro de estoque , mas elas poderão avançar e adquirirem softwares em que também contemplem a particularização de assuntos. E mantenham a feliz setorização. Há diversas partes em uma biblioteca que precisam ser setorizadas: infanto-juvenil, referência, literatura universal , literatura brasileira, clássicos estrangeiros, clássicos da Literatura Brasileira, livros de estudo e ensino (didáticos e pedagogia numa mesma seção), poesia e auto-ajuda, 8 seções só para começar. Isso em uma livraria é tranquilo. Em uma biblioteca põe por terra preceitos tradicionais de organização, e que veem se arrastando há séculos. Preceitos que os profissionais temem mexer em nome de uma internacionalização e uma padronização que as comissões técnicas mantém por defender os antigos ideais e muitos para defender seus cargos.
Consultando minha "bola de cristal", antevejo que as bibliotecas cada vez mais deverão se aproximar das livrarias no quesito organização física. E com o aumento do poder aquisitivo do povo para comprar livros, as bibliotecas nos velhos moldes, poderão ser fadadas ao abandono ou entregues ao competente bibliotecário, que ao admirar sua organização. tão fiel aos padrões, em pouco tempo terá acrescentada às suas uma nova e penosa função: a de espantar moscas.
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