Que me desculpem a demora em retomar os artigos. Tal lacuna ocorreu por motivos alheios à minha vontade. Enfim, retomemos!
Eu dIzia no último post que os profissionais da informação, ou os que militam nela, têm muito a colaborar para que sua biblioteca acompanhe a implementação dos avanços na Educação. Essa contribuição implica em revermos conceitos, um dos quais é de que o conhecimento é constituído de disciplinas.
Disciplinas, é sabido, são arranjos sistemáticos destinados a facilitar o aprendizado, mas têm a propriedade de isolar o conhecimento, o que é, aliás um "vício" científico sustentado por gerações . A ideia da interdisciplinaridade começa a ruir se não mudarmos essa estrutura de conhecimento.
Os bibliotecários tradicionalmente também bebem da mesma fonte; do conhecimento submetido à noção científica. Enquanto pensarmos que a Cultura está atrelada à Ciência, e não o contrário, pouco se pode fazer em termos de mudança. E a mudança requer não só trabalharmos com grandes temas - e não disciplinas - e costurá-los a suas afinidades.
O próprio Melvin Dewey, tão familar aos bibliotecários, construiu sua famosa tabela, estabelecendo perguntas sobre a existência humana, uma bela ideia, mas que perdeu-se em privilegiar a noção geográfica e não temática em literatura e História por exemplo. Outra restrição é a CDD não permitir uma forma de estrutura pelo discurso do documento, tão bem proposto por Mortimer Adler,o qual estabelece uma tipologia de livros - livros de informação, livros de formação, de literatura e livros práticos. Essa idéia pode propiciar uma organizaçõe modular em vez de uma sequência linear de códigos de assunto. Nesse sentido, há a opção temática que é interdisciplinar - abriga várias classes.
Assim, livros informativos sobre a origem e desenvolvimento do homem abrigaria tanto cosmologia (100) , religião (200), psicologia (150) , antropologia (300) evolução (500), fisiologia (611) e reprodução (612)- um módulo. Um segundo módulo seria Meio-ambiente - físico e social - onde entram as chamadas "Geociências" e as Ciências Sociais. Outro, ítens da Cultura , inclusive a Ciência, e assim por diante. Assim, temas sob diferentes discursos, subordinam a Ciência.
Uma experiência bastante singular é com relação aos escolares e suas buscas. Ao pesquisarem um assunto, por ex. Meio-ambiente, sentem-se perdidos entre "geografia" e "ciências" porque seu conhecimento está "disciplinarizado", ou escolarizado. Quando procuram culinária do Nordeste, procuram em "Geografia" e não em Cultura Brasileira, que deveria ser o ponto de acesso não só no catálogo como na estante.
A literatura, cujo discurso é narrativo é outro módulo independente e exclusivo.
Os livros práticos, cuja linguagem é dissertativa e também narrativa também merecem um lugar próprio compreendendo todos os ramos do conhecimento, logo todas as classes.
Sei que essa questão da interdisciplinaridade deve ser levada a muitos e muitos fóruns, principalmente na área da Informação. E que as mudanças não deverão acontecer sem traumas, aliás como foram todas as grandes mudanças que a humanidade conhece.
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