D.H.Lawrence, o escritor, falou duas coisas que me chamaram a atenção - uma que estamos afogados em uma quantidade imensa de livros e os recebemos numa atitude de consumo. Lemos (digerimos) e fechamos o livro (o livro "morre" após a leitura),foi consumido, acabou. Outra é da leitura de consumo em relação à leitura "de reflexão". Até onde podemos relativizar essa questão? Até onde é defensável dizer-se que uma obra aclamada pela crítica não foi ou será um dia de consumo, e vice-versa? Há casos e casos. Porém, nos devemos ater sobre se há como se criar parâmetros sobre a "boa" literatura (de reflexão) e a literatura de consumo, os best-sellers? Essa é uma reflexão que nos traz o artigo de Lawrence.
Acredito que só se pode avaliar digamos, tecnicamente, se uma obra é "grande" pela temporalidade. Ou seja, dentro daquele raciocínio do autor de que a obra foi lida, relida e marcou cada período que atravessou em diferentes edições e em diferentes línguas. E acabam "clássicos". Há outros critérios como premiação,nobéis etc. mas vamos ficar só com a sua propagação através do tempo.
Aqueles que não atravessarem uma linha de tempo de certa dimensão, cem, duzentos anos não poderão ser ordenados entre os grandes. Para quem é profissional do livro, essa dificuldade é inquietante. Porque para o leitor comum não importa a "idade" nem a nacionalidade de uma obra. Importa que ela atenda à sua necessidade do momento.
Na minha biblioteca, só uso a categoria "clássicos" para livros que evidentemente passaram nessa peneira do tempo, e aí então só esses eu ordeno por nacionalidade. Por que eles só podem ser reconhecidos por nacionalidade (literatura francesa, inglesa, etc) pela qual serão procurados pelo especialista ou aquele leitor com certo grau de erudição, em geral , quando vencida esta linha do tempo de prestígio. Essa linha e esse prestígio são o que demarcam a sua origem.
Aqueles que ainda não têm esse status se classificam apenas como literatura contemporânea, independentemente da nacionalidade.
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