Esse blog é destinado aos interessados em leitura, cultura e educação que queiram, livre e criativamente, debater e apresentar suas idéias
posts recentes

Jogando a criança...parte...

Jogando a criança... Part...

Jogando a criança fora co...

O erro de Descartes. Erro...

A culpa é das briófitas

Até tu, Paulo Coelho?

CULTURA SOBRE BIBLIOTECA ...

Por uma vida melhor II - ...

Por uma vida melhor

O espírito da letra

posts anteriores

Dezembro 2011

Novembro 2011

Setembro 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Novembro 2009

Outubro 2009

Agosto 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Junho 2008

Maio 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008
DUAS MÃES RECLAMANDO

Ao circular numa livraria que freqüento, ouvi o curto diálogo:

 

-          Absurdo, sabe quanto foi só um  livro do meu filho, do ensino médio? Oitenta e nove reais, um livro! – seguido da observação da outra:

-          Só a lista escolar de um filho foi de setecentos reais! 

Apenas essas duas linhas de diálogo  são o bastante para reflexão. A tal ‘volta às aulas” é o carnaval das editoras, a lágrima das mães e a enxaqueca dos livreiros. Fui livreira e nessa época,o Lexotan não bastava para tanto estresse. Sabíamos que havia um desconto do editor para o livreiro, variava de 20 a 30%, desconto que nos permitia  uma “margem” que porém se dissolvia em uma simples equação: o livreiro tinha 40 dias para liquidar a fatura à editora, enquanto tínha que vender ao consumidor em até seis parcelas, ou seja, seis meses. Tudo seria perfeito seria se vendêssemos todo o estoque, mas não. Era uma espécie de loteria. Muitos títulos se esgotavam e o consumidor, que sempre tem razão, não fechava a lista que estivesse incompleta. E tome prejuízo. Mas são águas passadas. Falávamos dos preços. Não é preciso ser grande especialista para entender esses preços ultra-engordados. A razão disso chama-se “compras governamentais”. O governo precisa de grandes descontos para fechar as concorrências de compra dos livros de seus programas distribuição MEC/MinC. A lógica é essa: se o editor colocar um precinho camarada num livro, digamos, 20 reais no máximo, para o governo, vai vender ao mercado privado pela margenzinha que repassa aos livreiros, mas se ele elevar (não quero usar o termo superfaturar)o preço para o governo, esse preço já vai engordurado para o livreiro e, logo, para consumidor final. Daí o diálogo acima das duas mães. Cantilena de todo ano. Sabe-se, desde criancinha, que tudo, tudo que se vende para o governo ,e não se pode excluir livros, é cobrado por muitas vezes o valor real. E La Nave vá...  Fazer o que, muitos perguntam. Há várias coisas: auditorias para ver fiscalizar esses preços, isso no nível prático. No nível gerencial, é mudança radical na política de livros didáticos. Livros didáticos, pode-se ter, mas baratos, muito baratos, baratos de não se ter pena  de usar, jogar fora e reciclar o papel depois para se produzir novos didáticos. A política de “passe adiante seu livro didático” justifica edições luxuosas  desses livros que, afinal, são manuais de instrução,temporários por natureza, encarecendo-as e bem mais até do que os livros comuns que tem temporalidade maior. Que livro comum custa R$ 89? Não é verdade que passar o livro adiante  garanta durabilidade a esse livro. Guardem o luxo das edições para livros informativos e literários. A ciência muda, a tecnologia muda, o conhecimento evolui, os programas pedagógicos também, e tudo conspira para que o didático usado  se transforme num transtorno para as  famílias, as escolas, as bibliotecas e o meio-ambiente,  a permanecer essa política.

 

Essas são as primeiras  reflexões produzidas apenas por duas mães reclamando.  

 

 



postado por Sheila G Soares às 01:02
link do post | seu comentário | adicionar aos favoritos

Domingo, 10 de Fevereiro de 2008
Lições da montanha... de livros!
 
Fascinante como algo aparentemente sem implicações, digamos, filosóficas, que é a doação de livros para uma biblioteca, revele tanto. São lições da montanha de livros. Se eu fosse fazer uma etnografia deste material, assim classificaria, independentemente do valor literário:
Os livros de valor afetivo: Pela idade dos livros – média anos 60 e 70 -, , aquele livro em que "eu estudei quando fiz o ginasial"; aquele livro que "foi do meu pai e do avô, ou que ganhei de um ente querido", são as chamadas "coleções a metro" de clássicos e grandes autores de um colecionador falecido, ou que não cabem mais na nova casa, enfim, lidos ou não, foram guardados por muito, muito tempo;
Os livros sobrados e sossobrados que o mercado editorial jogou na praia. São geralmente de autores desconhecidos ou candidatos a escritores, que se financiam e porque não têm mercado, sobram das (suas e de outras) prateleiras. Vão desde memórias e árvores genealógicas que só interessam às próprias famílias do autor, obras de pessoas e até políticos que "cometem" uma poesia e um romance, livros editados por academias regionais, e instituições sem caráter lucrativo, coletâneas de concursos diversos. A doação resulta de quando os egos desincham;
Os best-sellers. Em grande quantidade, esses velhos campeões são a personificação do que representam: consumo rápido. Consumidos, passa-se logo adiante. O futuro deles na biblioteca é quase sempre o sucesso, se o "sentimento" de que caíram de moda não prevalecer: "Pollyana?" , já era( ledo engano)! Eventualmente, um deles vira clássico ou volta à moda. Por isso, nunca devem ser subestimados.
Os doados por sentimento de culpa do doador: um tratado de eletrotécnica de 1958, outro, bem bonito, de medicina e cirurgia dos anos 80, um Atlas cujas informações estão defasadas, dicionários com ortografia em desuso, um álbum de figurinhas, livros de bolso, guias turísticos, bíblias em profusão, coleções e mais coleções de banca em fascículos, enciclopédias defasadas, estas particularmente derrotadas pela mídia eletrônica, miscelâneas e miscelâneas, a desafiar nosso senso de escolha. Porque esta escolha, que o doador teme fazer, envolve certo pesar em vender alguns desses exemplares para sebos ou destiná-los à reciclagem de papel.
Por último, os refugos da política editorial: os didáticos, expressiva parcela da montanha, que o contribuinte mui justamente teme se descartar. Ou porque são belos e caros exemplares de luxo que as crianças compraram e usaram, mas continuaram belos, ou porque não compraram, mas ganharam do governo e, muitas vezes não usaram, ou porque não há uma destinação para eles na escola. Para a biblioteca é que não foram feitos, por razões que não cabem aqui, mas que certamente cabem em um amplo debate sobre o assunto.
Essas são minhas "lições da montanha".


postado por Sheila G Soares às 23:09
link do post | seu comentário | adicionar aos favoritos

Quem sou eu
pesquise neste blog
 
Dezembro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
12
13
14
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
28
30
31


tags

todas as tags

links relacionados
Fazer olhinhos
blogs SAPO
subscrever feeds