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Terça-feira, 24 de Maio de 2011
Por uma vida melhor II - o LD

Isto posto, vamos ao que me toca profissionalmente, mais de perto. O objeto/meio livro. E um livro didático, que eu chamo de LD. Aquele parecer a respeito de falares,  de que "não está errada" esta ou aquela forma coloquial não é adequado à finalidade da obra que é de ensino,  justamente da norma culta. Se norma culta parece besta, vamos entender que seja a linguagem formal, pronto. Não por obediência cega, não por falta de espírito crítico, não por censura aquilo não deveria estar ali. Nâo deveria estar ali porque é um juízo de valor de alguém, que seja o seu autor ou autora;  e o lugar da opinião, do juízo, não é certamente o livro didático. São os foruns, é a imprensa, é a comunidade profissional, a família, a sociedade.  Mas está ali. E sozinho o livro atingiu, só para começar, em torno de seiscentas mil cabeças, passando por cima da cabeça do professor, direto para as cabecinhas em formação, ainda mal formulando um discurso com a correção (formal) mínima. Este é o poder dado a este tipo de livro, que de auxiliar do professor, passou a seu superior direto . Lembro-me que certa vez escrevi um artigo  - Lições de uma montanha de livros - descrevendo uma situação em que me via diante de uma quantidade imensa de livros para fazer triagem, e milhares, milhares mesmo - não menos de três dígitos - de exemplares do Livro do Professor. Examinei alguns e vi que não eram apenas orientações pedagógicas, eram a reprodução fiel do mesmo didático que ia para as crianças, só que com as respostas corretas, inclusive respostas discursivas. Em todas as disciplinas! Bem, podemos pensar, em todas as profissões temos nossos manuais, mas aqueles não eram manuais. Era como se um médico tivesse que, ao atender seu paciente, buscar seu diagnóstico nos manuais de Medicina  - ou um advogado nos tratados de Direito - é claro que eles o farão, em caso de dúvida, mas vemos que não é usual, já que eles têm o domínio de sua especialidade, e a autonomia   necessária para fazer as suas intervenções, só com a experiência, o conhecimento adquirido. Então, que poder é esse do livro didático? Que autonomia é essa do professor?  É o que precisa ser posto. 

Por uma aspecto é  bom que tenha acontecido com o poderoso LD. De outro modo, quando haveria a oportunidade de se levantar algo que, para mim, e , acredito, muitos, não é  senão a questão da autonomia e autoridade do professor que tal estado de coisas coloca em jogo?



postado por Sheila G Soares às 23:39
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