Preconceito linguístico. Sob esta justificativa, um livro didático ("Por uma vida melhor", prof. Heloísa Ramos, editora Global ) relativiza o "falar certo" e "o falar errado". Dizia um velho ditado, de boas intenções o inferno está cheio. Acredito, sem a menor dúvida, nas boas intenções dessa professora aposentada, uma das autoras do livro. Recebeu uma saraivada de ataques, da grande imprensa, na redes e não serei eu mais um a jogar tomates. Quero abordar essa questão e fazer alguns links com a intenção, não a pretensão, de que alguns façam bom uso deles. É verdade que o "falar errado" é objeto de bullying. E que falar errado tem duas vertentes, a baixa instrução na língua pátria e o regionalismo. Todos conhecem muitas piadas e brincadeiras com o "mineirês", o "baianês" e "gaúchês", entre outras falas originadas nos estados e no interior do Brasil, e que inclusive são salutares, quem não há de compreender a existência dos múltiplos falares no país. Porém, a mais grave é aquela de recorte social, aquela que alija e exclui os indivíduos de suas oportunidades. Não são a raras as ocasiões que pessoas humildes são vítimas de chacotas, por falar "ferindo a norma culta", seja presencialmente nas escolas, seja pelos meios de comunicação (nos humorísticos), ou Internet. Nesse sentido "Seu Creysson" é mais pernicioso que Chico Bento, embora ambos igualmente abalroem a língua-mãe. Enfim, até aí nada demais que nas escolas se comentem os falares diversificados, mas monumental é a confusão que se dá entre os falares e a norma que estrutura organicamente a língua; a língua tem flexão, tem gênero e um conjunto de outros aspectos que a tornam una e única em sua expressão. "Os livro", então, está errado quando a norma estabelece que o plural afeta os termos de uma oração. Pode-se relativizar as falas, mas as regras apenas quando as mudanças culturais se impóem. Exemplo muito citado: Vossa Mercê, vosmicê e Você. Foi uma evolução que só se deu no século XIX apenas. O pronome vós e os possessivos vosso(os,a,as) são candidatos fortes ao museu da língua de estritíssimo uso; na área religiosa e jurídica. Asim muitas categorias devem estar condenadas ao ostracismo porque todos concordam que a língua é organismo vivo e poroso aos intercâmbios da sociedade. Hoje os intercâmbios são muito mais diversificados, em razão da globalização.
(Continua)
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